Publicado em: 01/08/2018 16h33 - Atualizado em 06/08/2018 14h10

Consumidores esperam resposta de construtora alvo de denúncias

Da Redação
Clientes da construtora City Imob se dizem sem resposta sobre obras não concluídas e a devolução do dinheiro investido. Em meados de julho, a empresa foi alvo de denúncias. Segundo os consumidores, a City Imob não cumpriu prazos acordados e teria agido de má-fé em relação a financiamentos que, na verdade, não foram aprovados pelo banco.
Um dos consumidores, que não quis se identificar, relatou que buscou a construtora, pois tinha a intenção de construir uma casa. "Dei o valor da entrada e depois faria financiamento com a Caixa Econômica Federal. Quando fui abrir a conta no banco, perdi o emprego. A representante da Caixa disse que eu não poderia fazer o contrato. Acontece que a City Imob até agora não devolveu o dinheiro que deixei de entrada", reclama.
O caso de Marcelo Francisco da Silva é similar, porém, um pouco mais complicado. "Cheguei à City Imob por indicação de um amigo. Assim, este e outros dois amigos, além de mim, acabamos contratando os serviços da imobiliária", lembra. "Estava de casamento marcado para dezembro de 2017, e eles prometeram que pegaríamos as chaves nesta data, mas não aconteceu." Marcelo comenta que o contrato foi feito na agência da CEF de Campinas. "Só em fevereiro foi transferido para a agência daqui, quando foi assinado. Então, eles disseram que a casa seria construída assim que a Caixa pagasse pelo terreno, que era de propriedade do grupo Dominium", conta. "Percebi que eles nos davam pouca atenção devido a assinarem vários contratos por dia. O terreno só foi pago em abril (no dia 12). Demorou por enrolação deles. Eu cobrava sempre, mas não tinha retorno. Acontece que o terreno existe, porém, está desalinhado e não foi feito nada lá até agora." Ele afirmou que investiu R$ 37 mil no projeto. "Tive de fazer empréstimo", revela. "Além disso, tive gastos com engenheiro e outras coisas, o que totalizou prejuízo em torno dos R$ 60 mil. O cronograma da Caixa é de cinco meses, a partir da assinatura do contrato (fevereiro) para entrega do imóvel pronto. Como a empresa não cumpriu a parte dela, tem juros de 2% do valor do imóvel e multa mensais. Se não construir, vou perder tudo e o terreno vai a leilão."
Cautela
Outro cliente da construtora, que também preferiu não ter o nome divulgado, disse que foi um dos primeiros a dar a entrada. "Minha casa era para ter sido entregue em dezembro. Mesmo assim, tive mais sorte do que outros, pois recebi o imóvel em fevereiro agora", conta. "Eles ficaram me devendo dois meses de multa pelo atraso. O valor seria reembolsado na construção da garagem que nunca foi feita, e que agora estou fazendo com recursos próprios. Além disso, nossa documentação estava parada; eu peguei tudo lá e estou finalizando junto à Caixa parte da escritura do imóvel."
O cliente fala ainda que sempre ficou "no pé" da construtora. "Sempre houve muita mentira e informação desencontrada. Como sou bastante previdente e desconfiado, só fazia as transferências bancárias quando eles concluíam as coisas", afirma.
"Minha esposa e eu demos o carro mais o FGTS dela de entrada. Porém, só transferi o carro quando a Caixa liberou o crédito. Sei de casos em que as pessoas deram entradas altíssimas e nada foi feito. Entregaram apenas a minha casa e uma outra, mas, houve dezenas de contratos assinados."
Ele conclui reforçando que teve de "brigar" muito para o imóvel sair do papel. "Acredito que conseguimos por termos sido cautelosos e também por um pouco de sorte. Acho também que eles ficaram com medo da gente divulgar na mídia antes de arrebanharem novos clientes." 

Empresa admite atrasos e refuta boato

Procurada pela Tribuna, a City Imob enviou uma nota sobre as denúncias:
"A empresa tem obras que já foram entregues, obras que estão em execução (terceirizadas ou não), processos que ainda nem saíram o contrato com a instituição financeira, e obras a iniciar. Realmente existem obras que tiveram atrasos por troca de mão-de-obra e quadro de engenharia, mas na intenção de atender melhor o cliente.
Nunca deixamos de atender nenhum de nossos clientes, mas os processos são demorados aonde o cliente muitas vezes acaba somando todo esse tempo junto à execução de obra e questiona o atraso.
A respeito das obras que não se iniciaram ainda, a empresa está dando opções para o cliente e dentro dessas opções ela pode continuar com a empresa, com empresas parceiras ou terceirizados. Está sendo agendado cliente por cliente para análise de cada caso e se for a vontade do cliente fazer o distrato com a empresa, será realizado.
Infelizmente tivemos problemas com funcionários que saíram e tivemos obras concluídas e que não houve o repasse financeiro do cliente para a empresa e devido isso ter gerado um certo transtorno financeiro, a empresa também está em auditoria junto a assistência jurídica contratada.
A respeito do nome de terceiros, são informações, motivos e acordos internos que não vêm ao caso, muito menos a exposição disso a qualquer pessoa. Devido a ameaças recebidas de clientes a funcionários da empresa e diretoria, familiares e até mesmo exposições em mídias, a empresa se dá ao direito de se resguardar a algumas informações por questão de segurança. 
Como houve um boato falso de que a empresa estaria fechando 'no outro dia' após a saída de alguns funcionários, isso assustou os clientes, gerando todo esse transtorno citado e visto em outras mídias, das quais a maioria nem sequer deu a oportunidade da empresa se defender e expor a situação."

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