Publicado em: 04/09/2018 15h52 - Atualizado em 06/09/2018 16h44

Ceddo e o cinema africano

Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus é superintendente da Fundação Pró-Memória e doutor em História Cultural e Pesquisador da Unicamp/IFCH

Seguindo a proposta de discutir filmes que podem ser trabalhados em sala de aula como fonte histórica, destaca-se a produção senegalalesa Ceddo. Infelizmente, ainda hoje temos pouco costume de apreciar filmes que não são americanos e europeus. Filmes iranianos, japoneses e até australianos até chegam ao público brasileiro, mas as produções africanas têm pouca distribuição e divulgação por aqui.
Dentre vários filmes afri-
canos excepcionais destaco Ceddo, do não menos excepcional Ousmane Sembène. A partir desse filme, trabalho com meus alunos a possibilidade, quase rara, de assistirmos um filme do ponto de vista do colonizado, quando falamos do Imperialismo que se destacou nos fins do século XIX e gerou a primeira - e por que não segunda? - Guerra Mundial.
A partir de uma narrativa envolvente, Ousmane não coloca o povo africano como "coitadinho de mim", mas sim como resistente a essa exploração, que buscava matéria prima principalmente na África e Ásia, entre os séculos XIX e XX. Da mesma forma, podemos ver o papel violento, não só do europeu na (neo)colonização da África, mas também do cristinianismo e do islamismo, a partir de outro ponto de vista, ou seja, do explorador - muitas vezes, sanguinário.
O título do longa-metragem, Ceddo, é apropriado, uma vez que, segundo o diretor, no dialeto senegalês significa "o povo que resiste". Essa resistência é retratada do começo ao fim. O que é identificado, principalmente, na primeira cena em que se anuncia o sequestro da princesa Dior e, também, com mais impacto ainda, na última cena em que a princesa volta ao povoado e fuzila o líder islâmico, Imã.
Além disso, durante a trama há diversas tentativas de negociação por parte dos Ceddo para com o rei ou os líderes religiosos, em que eles defendem a permanência de sua religiosidade tradicional ou então apelam para uma adesão sincrética à religião do rei. Sendo assim, essa não passividade e resistência por parte dessa sociedade ficabem clara no filme e é possível ser extraída e utilizada por professores em sala de aula, principalmente porque produção e direção são senegalesas, conseguindo revelar a colonização pelo lado do colonizado, além de apresentar o povo africano como agente histórico nas situações de dominação que sofreu.

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