Empresa demite 111 terceirizados do grupo de risco no DF. Caso está no MPT

A Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região, do Ministério Público do Trabalho (MPT), deu 15 dias para que a Brasfort Empresa de Segurança Ltda. apresente proposta referente à demissão de 111 vigilantes do grupo de risco da Covid-19. Os trabalhadores eram terceirizados do Governo do Distrito Federal (GDF).O prazo foi estabelecido em audiência realizada, nessa quinta-feira (24/9), com representantes da Brasfort, do Sindicato dos Empregados em Empresas de Segurança e Vigilância do DF (Sindesv) e da Secretaria de Economia do DF.A empresa confirmou, na reunião, que 111 vigilantes do grupo de risco foram demitidos em 17 de julho de 2020. Representantes da Brasfort informaram que os empregados estavam afastados da atividade presencial “desde o início da pandemia, praticamente”.Mais sobre o assuntoDistrito FederalPelo menos 875 professores do DF são grupo de risco para a Covid-19Dados do Inep indicam 653 desse total na rede pública, 36 em escolas federais e 186 nos estabelecimentos particulares de ensinoDistrito FederalGrupo de risco não é obrigado voltar ao trabalho presencial em pandemiaPessoas com mais de 60 anos e com doenças crônicas podem apresentar atestados às empresas para manterem o home office Segundo a empresa, com o retorno do serviço in loco, em julho, “precisou cobrir esses 111 vigilantes” e realizou contratações para os postos de trabalho. A Brasfort é da família do deputado distrital Robério Negreiros (PSD).GDFA Secretaria de Economia do DF informou, na audiência, que não foi efetuada qualquer glosa no contrato de prestação de serviços de vigilância firmado com a Brasfort, “especialmente em razão do trabalho não presencial dos vigilantes que se encontram no grupo de risco da Covid-19”.A pasta pontuou que o GDF “tem atuado com todo o cuidado e responsabilidade para garantir que as pessoas que integram o grupo de risco da Covid-19 sejam mantidas, para sua segurança, em isolamento social”.“Não há nenhuma orientação do governo no sentido de promover glosas nos casos da impossibilidade de prestação de serviços presenciais dos trabalhadores que estejam no grupo de risco da Covid-19”, destacou a secretaria, por meio de seus representantes.AtingidosAo conceder o prazo para que a Brasfort apresente uma proposta, o MPT considerou o contexto atual da pandemia, “a qual atinge de forma mais séria os trabalhadores integrantes (do grupo de) risco da Covid-19, que ficam impossibilitados de realizar trabalhos presenciais, dificultando recolocação no mercado de trabalho”.O órgão também frisou que a Lei nº 14.020/2020 prevê medidas alternativas à demissão durante a crise. A norma permite, por exemplo, a redução proporcional de jornada de trabalho e de salário ou a suspensão temporária do contrato.Trecho da ata de audiência no MPT com vigilantes e a BrasfortTrecho da ata de audiência no Ministério Público do Trabalho (MPT) com vigilantes e a BrasfortReproduçãoTrecho da ata de audiência no MPT com vigilantes e a Brasfort..O MPT deu 15 dias para que a Brasfort apresente proposta referente à demissão de 111 empregados do grupo de riscoReproduçãoTrecho da ata de audiência no MPT com vigilantes e a Brasfort.Representantes da Secretaria de Economia disseram que não houve glosa no contrato com a terceirizada0RecontrataçãoAdvogado do Sindesv, Jonas Duarte afirmou à coluna Grande Angular que o objetivo do sindicato é a recontratação das pessoas demitidas. Segundo Duarte, as demissões chegaram a 170 em menos de 40 dias, contando os 111 vigilantes que foram desligados de uma só vez.Duarte pontuou que os ex-funcionários têm comorbidades ou mais de 60 anos. “Alguém com 60 anos ser demitido significa sair do mercado, porque, dificilmente, alguém com essa idade, especialmente os vigilantes, consegue ser realocado”, alegou Jonas.“A gente quer preservar o emprego, porque, em qualquer situação, com a taxa de desemprego indo para as nuvens, dificilmente, esse quantitativo de empregados vai ser realocado. A segunda premissa é manter o rendimento. Se ficar em casa com o contrato suspenso sem receber salário, como vai sustentar a família?”, questionou o advogado.TerceirizadaAdvogado da Brasfort, Marcelo Bessa disse à coluna que a empresa avalia a proposta do sindicato da categoria.

Fonte: Metropoles