Azul fez tudo certo, mas esbarra na falta de demanda, e Ágora corta recomendação

A recuperação da demanda por aviação é fundamental para o futuro da Azul (Imagem: Azul Linhas Aéreas/LinkedIn/Reprodução)
Aos trancos e barrancos da pandemia, a Azul (AZUL4) tem demonstrado resiliência em suas operações, resistindo ao período mais caótico do setor aéreo desde o atento às torres gêmeas em 11 de setembro de 2001. Inclusive, neste último  domingo (27), a companhia aérea inaugurou o voo do primeiro jato cargueiro E-195 da Embraer (EMBR3).
Entretanto, nenhum dos tais esforços foi suficiente para que o Bradesco BBI mantivesse a recomendação e não rebaixasse a indicação das ações para neutra. Mesmo reconhecendo a equipe de gestão e o modelo de negócios estruturado, ainda pesam três fatores contra a Azul, sendo eles:
1) potencial de valorização limitado de 4% após uma recuperação de 66% desde meados de março;
2) a ação está sendo negociada com um múltiplo EV/EBITDA de 8,6x para 2021, 23% acima de seu múltiplo médio histórico; e
3) um risco/retorno equilibrado.

Na mesma pegada, os analistas Vitor Mizusaki e Flávia Meireles, da Ágora Investimentos, também rebaixaram a recomendação dos papéis para o campo neutro.
“Aguardamos uma recuperação robusta da demanda. A Azul enfrentou seu risco de liquidez de caixa com a renegociação bem-sucedida de mais de 98% de seus passivos de arrendamento de aeronaves em agosto,” pondera a dupla, reconhecendo a economia de R$ 3,2 bilhões em capital de giro até dezembro de 2021.
A corretora entende como suficiente os valores angariados com a economia em capital de giro, combinados com a captação de R$ 2 bilhões em fontes alternativas e o caixa de R$ 3 bilhões, para abater os danos desencadeados pela pandemia de coronavírus.
“A relação risco/retorno não é empolgante, dados os potenciais de valorização e de desvalorização de +54% e -42% em nossos cenários otimista e pessimista, respectivamente”, advertem Mizusaki e Meireles.
As duas faces da moeda
A relação risco/retorno não é empolgante, de acordo com o radar da Ágora (Imagem: Azul Linhas Aéreas/LinkedIn/Reprodução)
Em abril de 2020, a capacidade total e a demanda caíram 88% e 90% no comparativo anual, respectivamente.

Desde então, a Azul aproveitou uma frota de aeronaves flexível para reconstruir sua malha aérea, tendo também implementado medidas para melhorar a segurança da saúde de seus passageiros e funcionários, como o uso de um sistema de cabine ultravioleta.
“Caso uma vacina para o Covid-19 se torne amplamente disponível e essa imunização desencadeie uma recuperação mais rápida do que o esperado da demanda por viagens aéreas, nossa avaliação seria de R$ 40 por ação (54% do potencial de valorização)”, consideram os analistas na esfera positiva.
Por outro lado, a Ágora derrubaria o preço-alvo a R$ 15 por papel (42% de potencial de desvalorização), em um cenário de uma segunda onda de Covid-19 no Brasil, dificultando a recuperação da demanda por aviação e a derrocada do real ante o dólar (US$ 1 a R$ 6).

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Fonte: MoneyTimes