Genes neandertais podem aumentar risco de contração e complicações da Covid-19

Ainda não se sabe exatamente o motivo de algumas pessoas serem mais vulneráveis ao novo coronavírus (Sars-CoV-2) do que outras, mas avanços científicos trazem novas conclusões: segundo um estudo feito em conjunto pelo Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa, no Japão, e o Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária da Alemanha, pessoas dotadas de genes do “Homem de Neandertal” são mais propensas a não apenas contraírem a Covid-19, como sofrerem os sintomas de forma mais severa.Veja também: Cuidado: 85% dos apps para rastrear a Covid-19 não são segurosAnvisa diz que pode aprovar vacina contra Covid-19 com eficácia de 50%Doria planeja vacinação contra Covid-19 a partir de 15 de dezembroMundo supera a marca de 1 milhão de mortes por Covid-19

De acordo com o estudo, 50% da população asiática e cerca de 16% da população europeia possuem essa cadeia específica de genes. Isso se deu pois, em tempos antigos, o chamado “Homo Neanderthalensis” apresentou alta capacidade migratória, com traços de suas passagens provando que ele saiu da África e passou pelas Américas e também do outro lado do planeta, como Rússia e Japão, deixando sua herança genética até hoje.

Ciclo migratório do Homem Neandertal: gene herdado de humanos pré-históricos pode nos tornar mais vulneráveis à Covid-19. Imagem: Zeberg et al., Nature, 2020Embora condições clínicas pré-existentes e fatores de desigualdade social tenham um peso considerável na vulnerabilidade das pessoas ao novo coronavírus, ainda não há um consenso em relação à infecção: pessoas incrivelmente saudáveis já foram infectadas e se mostraram assintomáticas, enquanto outras nas mesmas condições foram internadas e algumas até morreram. Vale lembrar que, em meio a pesquisas de vacina e tratamentos, a doença já superou a marca de um milhão de mortos em todo o mundo.Os cientistas Hugo Zeberg e Svante Pääbo, que lideraram a pesquisa, analisaram a informação genética de 3.199 pacientes internados com Covid-19, identificando que combinações de genes variados do cromossomo 3 apareciam de forma ordenada em boa parte das pessoas, em maior grau do que combinações aleatórias. Esse DNA, distribuído em seis genes específicos e somando 49,4 mil pares de base, sugere que essa variação foi introduzida no genoma humano de forma direta.

Em outras palavras: elas foram herdadas de pais, avós e ancestrais, e não são necessariamente mutações genéticas.A partir daí, Zeberg e Pääbo rastrearam a origem dessa alteração genética, não encontrando nada relacionado no Hominídio Denisoviano, pouquíssimas no Homo Sapiens, algumas similaridades no Neandertal siberiano. Mas o Neandertal da Croácia foi o que trouxe mais proximidade. “Estes resultados sugerem que este Neandertal está mais próximo da maioria dos Neandertais que contribuíram para o DNA das pessoas atuais”, escreveram os cientistas na revista Nature.Gene herdado do “Homo Neanderthalensis” pode trazer respostas ao grau de severidade com o que somos mais ou menos afetados pelo novo coronavírus. Imagem: The Scientist/ReproduçãoAgora, os especialistas estão investigando o motivo pelo qual pessoas dotadas desta genética tão específica são mais vulneráveis que outras ao contrair a Covid-19. Infectados com essa particularidade são os mais propensos a precisar de respiradores e cuidado médico monitorado e intensivo. O que eles suspeitam é que essa variação tenha se provado vantajosa contra algum outro tipo de vírus mais antigo, mas tal particularidade acabou expondo-os à pandemia moderna.Em termos práticos, as descobertas podem ajudar a responder algumas perguntas pertinentes: pessoas naturais de Bangladesh, por exemplo, têm o dobro de chance de morrer por causa da Covid-19 do que, digamos, pessoas da Inglaterra. Em Bangladesh, a citada herança genética é 63% mais incidente. “É impactante o fato de a herança genética do Neandertal trazer uma consequência tão trágica na atual pandemia”, disse Pääbo.Fonte: Nature

 

Fonte: OlharDigital