Nova geomanta na Fazenda Grande do Retiro vai proteger 980 moradores

O inverno foi de sufoco para os moradores da 1ª Travessa Pacheco de Oliveira, no bairro da Fazenda Grande do Retiro, em Salvador, e não foi por causa da pandemia. Um barranco de 716 metros quadrados que fica na localidade sofreu com as chuvas que caíram na cidade esse ano, a maior quantidade dos últimos 36 anos, segundo dados da prefeitura, e o barro rolou ladeira abaixo. O alívio veio apenas nesta quinta-feira (1º), quando a geomanta que estava sendo construída no local foi entregue.

A cortina de PVC e geotêxtil com cobertura de argamassa jateada tem 716 metros quadrados de área, e custou cerca de R$ 100 mil aos cofres públicos. Mas para os moradores a construção tem outro valor. O eletricista Sérgio Rodrigues, 35 anos, mais conhecido como Dário, mora na comunidade desde que nasceu e é quem explica.
“O sofrimento aqui era muito grande. Toda vez que chovia, o barro descia e a lama invadia as casas que ficam na parte de baixo. As casas que ficavam no alto do morro também estavam em perigo. Se você observar com atenção vai ver que ainda tem resto de casas que foram atingidas pelos deslizamentos. A comunidade já pedia essa obra há mais de 30 anos”, contou.
Ele também reclamou que matagal que tomava conta do barranco atraia ratos, baratas e outros insetos, e disse que em outros governos foram colocadas lonas para tentar conter os deslizamentos, mas que isso não resolvia o problema. Segundo os dados da prefeitura, cerca de 980 pessoas moram nas proximidades da encosta. Os moradores pediram, agora, a construção de uma escadaria para a 2ª Travessa Pacheco de Oliveira, uma transversal da primeira, com parapeito e a instalação de corrimão.

Proteção tem 716 metros quadrados (Foto: Gil Santos/ CORREIO) Inauguração O prefeito ACM Neto chegou ao local por volta das 10h30 para fazer a entrega oficial da nova geomanta. Ele disse que a região administrativa da Liberdade e de São Caetano, na qual a Fazenda Grande do Retiro está inserida, é uma das mais críticas de Salvador e a que enfrenta maiores problemas em função das chuvas, e citou a tragédia do Barro Branco como exemplo.
“A cidade hoje está muito mais protegida que no passado. Antes da nossa gestão não existia esse tipo de solução, de geomanta. Nós fomos buscar e trouxemos para Salvador. Algumas encostas não comportam essa proteção e a gente foi colocando lonas até que a obra de contenção fosse realizada, mas muitas outras comportam e isso traz absoluta segurança para os moradores. Somente aqui, são 980 pessoas”, afirmou.

Neto destacou que outras 37 áreas da capital serão contempladas com a mesma estrutura. Desde quando foi adotada pela Prefeitura, em 2016, a técnica da geomanta foi aplicada em 195 áreas de risco, e o investimento foi de cerca de R$ 17 milhões. O diretor geral da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Sosthenes Macêdo, explicou que essas estruturas têm durabilidade de cinco anos.
“O ideal é sempre fazer a contenção em definitivo, porque ela dura para vida inteira, mas o valor é muito elevado e o tempo de execução é mais demorado. Há pretensão de que no futuro essa tecnologia [geomanta] seja trocada pela contenção, mas enquanto isso não acontece nós temos aqui uma garantia mínima de cinco anos. Diferente das lonas que precisam ser substituídas, às vezes, duas ou três vezes por ano. Depois das geomantas instaladas as pessoas vão viver em segurança”, contou.
Sosthenes destacou outras ações para ajudar na prevenção de acidentes e desastres, como a instalação de 52 pluviômetros e de duas estações hidrológicas, que ajudam a monitorar o comportamento do tempo na capital. Ele também citou o aparelhamento dos órgãos de fiscalização e prevenção, a recuperação de encostas, e a parceria da prefeitura com faculdades e outras instituições de ensino para elaborar projetos para a população. Prefeito destacou que a técnica de geomanta foi uma novidade da gestão atual (Foto: Gil Santos/ CORREIO) Prorrogação Durante o evento o prefeito anunciou a renovação dos contratos das Unidades de Acolhimento Institucional (UAIs) até março de 2021. São instituições que oferecem atendimento às pessoas em situação de rua, dependentes químicos, idosos, crianças e adolescentes, e outros segmentos em vulnerabilidades. São 1.121 pessoas acolhidas.
Os espaços são alugados para receber esses grupos, e no local são oferecidos atendimento médico e psicológico, abrigo e alimentação. A Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre) é responsável pela gestão desses contratos, e as instituições ficam nos bairros da Liberdade, Roma, Boca do Rio, e Coutos. O investimento é de R$ 3,9 milhões.

Fonte: Correio24horas