Taxas de títulos do Tesouro Direto operam sem direção definida nesta quinta-feira

SÃO PAULO – As taxas dos títulos públicos negociados via Tesouro Direto operam sem direção definida na manhã desta quinta-feira (1). Os papéis prefixados apresentam alta nas taxas, enquanto os indexados à inflação têm leve queda.
O título prefixado com vencimento em 2026 pagava uma taxa de 7,25% ao ano, ante 7,19% a.a. na tarde de quarta-feira (30). O mesmo papel com juros semestrais e prazo em 2031, por sua vez, oferecia um prêmio anual de 7,66%, frente 7,57% ao ano anteriormente.
Entre os papéis indexados à inflação, o com vencimento em 2026 pagava uma taxa anual de 2,77% nesta manhã, ante 2,79% a.a. ontem. Já o juro pago pelo Tesouro IPCA+ 2035 era de 4,10%, levemente abaixo dos 4,11% a.a. de quarta-feira.
Confira os preços e as taxas dos títulos públicos nesta quinta-feira (1):
Fonte: Tesouro Direto
Cena doméstica
No Brasil, a atenção dos investidores segue centrada no planejamento fiscal do governo. O ministro da Economia, Paulo Guedes, descartou o uso de precatórios para financiar o programa Renda Cidadã, que substituiria o Bolsa Família e entraria no lugar do Auxílio Emergencial. Com isso, as discussões voltam à estaca zero e líderes do Congresso já veem a votação apenas em 2021.
Com relação à reforma tributária, a expectativa, segundo o jornal Folha de S. Paulo, é de que seja adiada para o próximo ano, devido à proximidade das eleições municipais, que reduz a disposição de lideranças políticas para debater mudanças. Além disso, os líderes partidários já sinalizaram que não gostaram da ideia da criação de um imposto sobre pagamentos.
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O mercado continua a acompanhar ainda a troca de farpas entre o ministro da economia e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Guedes afirmou ontem que há boatos de que Maia fez um acordo com a esquerda para não pautar as privatizações, segundo a Folha de S.Paulo. “Não há razão para interditar as privatizações”, afirmou. Maia rebateu e declarou: “Paulo Guedes está desequilibrado”.
Ainda no noticiário nacional, chama atenção a informação de que o presidente Jair Bolsonaro sancionou ontem uma lei que estipula um teto de R$ 100 mil para obras executadas pelo poder público sem licitação durante a pandemia. O limite anterior à MP era de R$ 8 mil ou R$ 15 mil, conforme o tipo de obra.
Quadro internacional
No exterior, as bolsas têm dia de alta pela expectativa de que finalmente democratas e republicanos cheguem a um acordo, nos Estados Unidos, para o pacote trilionário de estímulos contra os impactos econômicos do coronavírus.
A Câmara de Representantes adiou ontem uma votação do pacote de US$ 2,2 trilhões defendido pelo Partido Democrata com o objetivo de permitir mais diálogo com os republicanos. O presidente americano, Donald Trump, teria aceitado um programa que fosse até maior que US$ 1,5 trilhão, mas consideraria qualquer cifra acima de US$ 2 trilhões um problema grave.
Ainda nos EUA, o Departamento de Trabalho informou que foram registrados 837 mil novos pedidos por seguro-desemprego na semana passada. O número foi menor do que a mediana das expectativas dos economistas consultados pela Bloomberg, que apontava para 850 mil requisições do benefício no período.
Também no radar, a pandemia continua a influenciar o sentimento dos investidores, que acompanham de perto o noticiário sobre vacinas. O presidente da farmacêutica Moderna disse que só deve pedir autorização da FDA para uma nova vacina da Covid-19 depois das eleições presidenciais americanas, em novembro, segundo o jornal Financial Times.

Fonte: InfoMoney