As ações mais recomendadas pelos analistas para investir em outubro

SÃO PAULO – Após o pior mês desde março para o Ibovespa, com queda de 4,8%, os analistas começam outubro ainda cautelosos com o cenário político doméstico e de olho no aumento da aversão ao risco na cena externa, em meio à proximidade das eleições presidenciais nos Estados Unidos.
A temporada de balanços do terceiro trimestre que se inicia nas próximas semanas também será acompanhada de perto, de forma a monitorar a recuperação das companhias na crise.
“O mês de outubro será de bastante volatilidade e os investidores terão que ficar atentos às manchetes, porque qualquer coisa pode pegar [os mercados] de surpresa”, afirma João Dibo, analista de ações da Rio Bravo.
Segundo ele, o cenário eleitoral nos EUA tende a dominar as atenções dos investidores, em especial devido à liderança nas pesquisas do democrata Joe Biden.
“Ele já chegou a dizer que aumentaria as corporate taxes, o Imposto de Renda das empresas, dos atuais 21% para 28%. Caso ele seja eleito e siga com essa política fiscal contracionista, pode ocorrer um estresse lá fora”, diz.
No Brasil, o noticiário de Brasília tem contribuído para um aumento das preocupações com os gastos públicos. “Em outubro, caso o governo volte atrás e mantenha a promessa do teto de gastos, o risco fiscal deverá ficar um pouco mais tranquilo”, diz.
Por fim, uma segunda onda de contaminações pela Covid-19 na Europa também deve permanecer no radar.
As preferidas
Levantamento feito pelo InfoMoney com as recomendações de 11 corretoras mostra a preferência dos analistas por papéis que se beneficiam da valorização do dólar, como os de commodities, com quatro nomes: Vale, Petrobras, Gerdau e Marfrig.
Destaque para a entrada das duas últimas, e do Bradesco na seleção compilada para este mês. “Em meio à forte valorização do dólar, companhias exportadoras são claramente as ganhadoras”, afirma Dibo.
O setor financeiro também aparece entre os preferidos para outubro, com dois bancos (Bradesco e Banco do Brasil), além da B3.
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A carteira de ações compilada pelo InfoMoney é divulgada no início de cada mês e conta com os cinco nomes mais recomendados pelas casas de análise consultadas. O número de indicações pode ser maior, se houver empate, caso deste mês.
A partir de outubro, a carteira da Rico deixa de compor o levantamento devido à mudança de periodicidade das recomendações.
Confira a seguir as ações mais recomendadas para outubro, o número de indicações e seu desempenho no ano:

Empresa
Ticker
Número de recomendações*
Retorno em 2020**

Vale
VALE3
9
+15,54%

B3
B3SA3
7
+33,37%

Bradesco
BBDC4
5
-40,42%

Banco do Brasil
BBAS3
4
-42,17%

Gerdau
GGBR4
4
+4,18%

Hapvida
HAPV3
4
-2,28%

Marfrig
MRFG3
4
+53,11%

Petrobras
PETR4
4
-35,02%

Via Varejo
VVAR3
4
+55,33%

Ibovespa


-18,2%

*Indicações compiladas das carteiras de ações de Ágora, Ativa, BB Investimentos, BTG Pactual, Elite, Genial, Guide, Necton, Santander Corretora, Socopa e XP Investimentos.
** até 30/09/2020
Fonte: Economatica
Vale (VALE3)
Assim como em setembro, a Vale recebeu nove recomendações e é a companhia preferida dos analistas para investir neste mês.
Em relatório, a Santander Corretora se diz otimista com os preços do minério de ferro nos próximos anos, dada a tendência positiva de demanda da China e as incertezas relacionadas à oferta global da commodity, que podem sustentar os preços em níveis elevados.
A opinião é compartilhada pela Elite Investimentos, que lembra ainda que a companhia anunciou, em setembro, a volta do pagamento de dividendos.
“Seguimos otimistas com o desempenho da Vale no longo prazo, que continua demonstrando capacidade operacional e de geração de caixa, uma estrutura de capital saudável e resiliência mesmo após grandes desafios, como a tragédia de Brumadinho”, escrevem os analistas.
B3 (B3SA3)
Também entre as preferidas das casas de análise para este mês está a Bolsa brasileira, com sete recomendações.
A avaliação, segundo a Ágora, é de que o ambiente de juros baixos deve continuar a impulsionar o fluxo local de outras classes de ativos para as ações. Os analistas também chamam atenção para a quantidade de novas empresas vindo à mercado, via IPOs.
O time da Necton, por sua vez, destaca o cenário de maior volatilidade, que tende a gerar um aumento do volume financeiro transacionado na Bolsa, com incremento da margem líquida e geração de caixa da companhia.
Bradesco (BBDC4)
Novidade na carteira compilada pelo InfoMoney, o Bradesco recebeu cinco recomendações de compra, uma delas da Ativa Investimentos, que incluiu os papéis em sua carteira deste mês.
Segundo os analistas, isso se deve ao bom potencial de avanço dos papéis na Bolsa, além de expansão das operações, boa gestão da Provisão de Devedores Duvidosos (PDD) e ofensivas “interessantes” no segmento digital, como o banco Next.
Já a Socopa afirma que o banco está bem preparado para se beneficiar de uma recuperação da economia local, com capital saudável, bem como com inadimplência e cobertura de juros em níveis adequados.
Banco do Brasil (BBAS3)
Com quatro recomendações para este mês, o Banco do Brasil também está entre os papéis preferidos dos analistas.
Para a Elite Investimentos, os papéis estão sendo negociados a múltiplos atrativos em relação aos pares. Além disso, o banco continua tendo protagonismo na concessão de créditos e exposição a linhas de crédito rurais, que são menos impactadas pela pandemia, escreve a casa.
O time de análise da XP, por sua vez, destaca a chegada positiva de André Brandão ao cargo de presidente do BB. O valuation descontado e o possível benefício de fatores não dependentes da economia, como a redução de provisões operacionais e custo de captação mais barato via depósitos judiciais, também são citados pelos analistas para justificar a recomendação.
Gerdau (GGBR4)
Após um ano fora da seleção compilada pelo InfoMoney, a Gerdau voltou para a lista de papéis preferidos das casas de análise, com quatro menções para outubro.
De acordo com o BTG Pactual, que incluiu o ativo em sua carteira deste mês, a recomendação deve-se ao fato de a companhia combinar um forte crescimento da receita, baixa alavancagem, geração de fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês), pouca exposição cambial e participação no mercado imobiliário.
“Pela primeira vez em anos, acreditamos que a empresa está bem posicionada para repassar aumentos de preços e superar as expectativas”, escrevem os analistas.
A opinião é compartilhada pela Necton, que destaca a exposição ao setor de construção civil, que está com forte demanda no Brasil e com um pipeline robusto de ofertas de IPOs.
Hapvida (HAPV3)
A operadora de planos de saúde Hapvida, com atuação principal nas regiões Norte e Nordeste do país, recebeu quatro menções para este mês.
Em relatório, o time de análise da Guide escreve que possui uma visão positiva para a companhia, pautada principalmente no crescimento do mercado em função do envelhecimento da população, bem como pelo histórico de eficiência em suas aquisições, conseguindo gerar as sinergias previstas, impondo sua cultura operacional e melhorando as margens das companhias adquiridas.
Marfrig (MRFG3)
Também novidade na carteira compilada pelo InfoMoney, Marfrig entrou neste mês para a carteira recomendada da XP.
De acordo com os analistas, a forte queda de 16% dos papéis na Bolsa em setembro abre uma oportunidade de compra “interessante” para aumentar a exposição da carteira ao setor de commodities.
“Os fundamentos da empresa seguem sólidos, com exportações robustas que devem seguir beneficiando a operação na América do Sul, bem como margens atrativas na operação na América do Norte”, escreve a XP.
O time de análise também cita a liderança da Marfrig nas questões de ESG relacionadas à cadeia pecuária, com destaque para a iniciativa de rastreamento de fornecedores.
Os papéis também entraram na seleção recomendada pela Necton, que destaca a formação de uma joint venture com a ADM para produção de proteínas vegetais. “[A iniciativa] representa um passo importante na exposição a um mercado que cresce 8% ao ano e demonstra uma tendência de consumo de produtos mais saudáveis e orgânicos.”
Petrobras (PETR4)
Figurinha carimbada na seleção compilada pelo InfoMoney, Petrobras recebeu quatro recomendações para este mês.
Segundo a Ágora, os papéis possuem um nível de valuation atrativo, especialmente para investidores que buscam boas opções para o longo prazo.
Olhando para frente, as ações devem seguir reagindo aos fundamentos globais de oferta e demanda e à curva dos futuros de petróleo, escrevem os analistas.
Já o time de análise do BTG Pactual afirma que os papéis oferecem uma relação entre risco e retorno atraente, dada a resiliência de longo prazo da companhia, mesmo sob um ‘novo normal’ para os preços do petróleo, sustentado por ativos de exploração e produção de primeira linha.
Via Varejo (VVAR3)
Também presente na carteira recomendada do último mês, Via Varejo recebeu quatro menções para outubro.
Para a Santander Corretora, mesmo após a recente correção, com queda de 15,4% no último mês, as ações continuam descontadas sob diversas métricas quando comparadas aos seus pares domésticos.
Um contínuo processo de reavaliação das ações por parte dos investidores, operações de fusões e aquisições, bem como a expansão dos resultados e margens operacionais devem contribuir para um ótimo desempenho da varejista, segundo os analistas.

Fonte: InfoMoney