Ibovespa volta a cair seguindo exterior apesar de alta de bancos; dólar vira para alta

SÃO PAULO – O Ibovespa volta a registrar queda nesta sexta-feira (2), dia de muita volatilidade. O índice acompanha o movimento negativo das bolsas internacionais depois que o presidente americano, Donald Trump, anunciou que ele e a primeira-dama, Melania Trump, estão infectados pelo coronavírus.A notícia eleva as incertezas em torno das eleições presidenciais que ocorrem em 3 de novembro. Os dois fizeram exames para a Covid-19 após a conselheira próxima do presidente, Hope Hicks, ser diagnosticada com o vírus. O presidente, que tem 74 anos, informou que vai iniciar uma quarentena justamente na reta final da campanha.Vale lembrar que foi esta semana que ocorreu o primeiro debate de Trump com o candidato democrata, Joe Biden, em Cleveland, Ohio.

Por outro lado, as ações de bancos têm leves altas no Brasil hoje, refletindo a edição pelo presidente Jair Bolsonaro da Medida Provisória 1.006, que aumenta de 35% para 40% a margem de crédito consignado de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) durante a pandemia.Bolsonaro também aliviou os investidores ao afirmar em live nas redes sociais na quinta-feira que “segue a linha do [ministro da Economia] Paulo Guedes” e que o ministro tem a palavra final sobre a política econômica.Às 13h01 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 1,08%, aos 94.444 pontos.Enquanto isso, o dólar comercial sobe 0,19% a R$ 5,664 na compra e a R$ 5,665 na venda. O dólar futuro com vencimento em novembro registrava alta de 0,58%, a R$ 5,681.No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe 17 pontos-base a 3,31%, o DI para janeiro de 2023 avança 20 pontos-base a 4,79%, o DI para janeiro de 2025 tem alta de 19 pontos-base a 6,72% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de 15 pontos-base a 7,63%.

Também impacta o mercado a geração de empregos abaixo da esperada em setembro pelos EUA. O país criou 661 mil vagas, conforme revelou o Departamento de Trabalho. O número veio abaixo da mediana das expectativas dos economistas compilada no consenso Bloomberg, que apontava para a geração de 875 mil postos de trabalho no período.Já a taxa de desemprego na maior economia do mundo ficou em 7,9%, ante estimativas de que caísse de 8,4% para 8,2%.No Brasil, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que os juros voltarão a subir se o governo abrir mão do “arcabouço vigente”. Segundo a Folha de S.Paulo, a fala foi interpretada como um alerta contra o uso de precatórios e parte do Fundeb para financiar o programa Renda Cidadã.De acordo com o Estadão, o impasse sobre o Renda Cidadã é tão grande que o governo cogita até mesmo voltar ao nome original, Renda Brasil. No momento, lideranças do Congresso querem retomar a articulação para montar o programa a partir de uma revisão dos benefícios atuais.Também por aqui, a produção industrial cresceu 3,2% em agosto, revelou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número veio abaixo da mediana das projeções dos economistas, que apontava para expansão de 3,8% no setor.Entre as empresas, o destaque é o aval dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Petrobras continue a vender ativos de refino e logísticos.Teto de gastosEm uma sessão de perguntas e respostas, Campos Neto explicou que a manutenção do teto seria muito importante para a preservação do atual regime fiscal. Segundo participantes, o presidente do BC afirmou ainda que qualquer solução criativa seria interpretada como estouro do teto, de acordo com o jornal.A criação do Renda Cidadã usando estas fontes de financiamento já havia sofrido forte oposição nos últimos dias. Com isso, a expectativa é que o governo só deve definir o lançamento do programa social depois das eleições municipais de novembro, de acordo com O Globo.

Segundo o jornal, a ala política do governo avalia a criação de um novo imposto vinculado ao programa social. Além disso, está em discussão uma revisão nas despesas da União para abrir espaço no teto de gastos públicos.De acordo com o Estadão, o impasse sobre o programa é tão grande que o governo cogita até mesmo voltar ao nome original, Renda Brasil. No momento, lideranças do Congresso querem retomar a articulação para montar o programa a partir de uma revisão dos benefícios atuais.Já o presidente Jair Bolsonaro afirmou na quinta-feira que “segue a linha do Paulo Guedes” e que o ministro tem a palavra final sobre a política econômica. A sinalização a Guedes ocorreu um dia depois do chefe da economia voltar atrás no anúncio do governo sobre o uso de precatórios para bancar um novo programa social ainda em análise.“A nossa política é livre-mercado. Seguir a linha do Paulo Guedes”, disse em transmissão ao vivo nas redes sociais. A declaração sobre a política de mercado brasileira, foi feita após o presidente negar a possibilidade de tabelamento de preços por conta na alta de produtos, como ocorreu com arroz.Cortes na educaçãoOutro destaque é a proposta do presidente Jair Bolsonaro ao Congresso Nacional de corte de R$ 1,4 bilhão nos recursos do Ministério da Educação para acomodar gastos com obras e outras ações patrocinadas pelos parlamentares. A pasta recebeu o maior corte na proposta de remanejamento de R$ 6,118 bilhões, formalizada ontem.Segundo o Estadão, o Ministério do Desenvolvimento Regional foi o maior beneficiado e deve receber R$ 2,3 bilhões. Outro R$ 1,06 bilhão ficará com a Infraestrutura. O restante será dividido entre Saúde, Minas e Energia e Agricultura. O remanejamento faz parte do acordo entre Bolsonaro e o Congresso para iniciar o plano Pró-Brasil.Além disso, o presidente confirmou ontem a escolha do desembargador Kassio Nunes Marques, do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1), para assumir a vaga aberta na Corte com a aposentadoria de Celso de Mello, no próximo dia 13 de outubro.As relações internacionais esquentaram ontem, depois que o presidente Bolsonaro afirmou que o Brasil precisa ter as Forças Armadas preparadas para proteger a Amazônia.

Ele fez a declaração após comentar o debate entre Donald Trump e Joe Biden, candidatos à Presidência dos Estados Unidos. Bolsonaro é aliado de Trump e criticou a afirmação de Biden de que pode impor sanções ao Brasil caso seja eleito devido às queimadas na floresta amazônica, de acordo com a Folha.A polêmica ocorre em meio a uma forte saída de recursos estrangeiros do país. De acordo com dados divulgados pela B3, o saldo negativo na bolsa de valores no ano até o dia 29 de setembro soma R$ 88,2 bilhões. O valor representa o dobro do registrado em todo o ano passado, quando os estrangeiros retiraram R$ 44,5 bilhões.Radar corporativoEntre as empresas, o destaque é o aval dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Petrobras continue a vender ativos de refino e logísticos. Além disso, o Ministério Público pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) a abertura de uma investigação sobre indícios de irregularidades na gestão do Banco do Brasil.Já a Vale teve seu rating elevado pela agência de classificação de riscos Moody’s para Baa3, com perspectiva estável, citando melhorias observadas nas práticas ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança) da empresa.A Telefônica Brasil aprovou a conversão de todas as suas ações preferenciais em ações ordinárias, na proporção de uma ON para uma PN, enquanto a Notre Dame Intermédica Participações comprou a Lifeday Planos de Saúde, por meio de sua subsidiária integral Clinipam, por R$ 70 milhões. Além disso, a Cielo vendeu 40,95% do capital social da Orizon para a Bradseg participações, por R$ 128,9 milhões.

Fonte: InfoMoney