Tesouro Direto: taxas de títulos públicos operam sem direção definida nesta segunda-feira

SÃO PAULO – As taxas dos títulos públicos negociados via Tesouro Direto operam sem direção definida na manhã desta segunda-feira (5). Os papéis indexados à inflação apresentavam leve queda, enquanto os prefixados subiam de maneira mais destacada.
O título prefixado com vencimento em 2023 pagava uma taxa de 5,15% ao ano, ante 4,99% a.a. na sexta-feira (2). O mesmo papel com juros semestrais e prazo em 2031, por sua vez, oferecia um prêmio anual de 7,77%, frente 7,70% ao ano anteriormente.

Entre os papéis indexados à inflação, o com vencimento em 2035 pagava uma taxa anual de 4,22% nesta manhã, ante 4,24% a.a. na sexta-feira. Já o juro pago pelo Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2040 recuava de 4,22%, para 4,18% ao ano.
Confira os preços e as taxas dos títulos públicos nesta segunda-feira (5):
Fonte: Tesouro Direto
Relatório Focus
Entre os destaques do dia, o relatório Focus, do Banco Central, mostrou que o mercado financeiro revisou para cima, pela quarta semana consecutiva, as projeções para o desempenho da economia brasileira e agora vê uma queda de 5,02% este ano, levemente acima da contração de 5,04% esperada anteriormente.
Para 2021, a atividade deverá crescer 3,50%, sem mudanças em relação à semana anterior.
Em meio às preocupações com os gastos públicos para minimizar os impactos da pandemia, os economistas consultados pela autoridade monetária também elevaram as estimativas de alta para a inflação, de 2,05% para 2,12%, em 2020. Foi a oitava semana seguida de aumento na projeção. Para 2021, a expectativa é de uma alta de 3,00%, ante 3,01% na semana anterior.
No que tange às expectativas para a taxa Selic, estas se mantiveram em 2,00%, em dezembro, com alta para 2,50% a.a., ao fim de 2021.
Cena política
Além dos indicadores macroeconômicos, o mercado continua acompanhando nesta semana as articulações do governo para tentar criar o programa social Renda Cidadã.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a ideia mais recente é extinguir o desconto de 20% concedido a contribuintes que optam pela declaração simplificada do Imposto de Renda da pessoa física.
Apesar de incluir o formulário simplificado – que existe há 45 anos – este plano manteria o direito a deduções médicas e educacionais. Mesmo assim, ainda seria necessário abrir espaço no teto de gastos. Por isso, o Ministério da Economia deve fazer um pente-fino no Orçamento para encontrar verbas que possam ser cortadas.
Ainda no noticiário político, membros do governo estão fazendo esforços para apaziguar a relação do ministro da Economia, Paulo Guedes, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Segundo o Broadcast Político, eles se encontrarão hoje à noite em um jantar para tentar retomar o diálogo e destravar a agenda legislativa da economia.
Destaque ainda para a guerra declarada entre Guedes e o ministro do Desenvolvimento Social, Rogério Marinho, em torno da forma de financiamento do programa Renda Cidadã. Na semana passada, Marinho defendeu publicamente que o programa deve sair “de qualquer jeito”.
Como resposta, Guedes voltou a chamar Marinho de traidor e deu um alerta à ala política do governo. “Se a doença vier (numa segunda onda), vamos furar teto. Mas não vamos furar o teto para fazer política”, avisou. “Não acredito que Marinho falou mal de mim. Se falou mal, isso mostra que ele, em primeiro lugar, é despreparado, além de desleal e fura teto”, afirmou, segundo reportagem do Estado de S. Paulo.
Quadro internacional
No ambiente externo, os investidores monitoram o quadro de saúde do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que foi diagnosticado com coronavírus e ficou internado durante o fim de semana. A expectativa é de que ele receba alta hoje.
No domingo, o médico da Casa Branca, Sean Conley, disse que ele “continua a melhorar”. Antes disso, informações desencontradas e a confirmação de que Trump teve dois episódios de queda no nível de oxigenação foram o centro das atenções.
Os mercados também repercutem uma pesquisa eleitoral da Reuters/Ipsos, divulgada ontem, que mostrou Joe Biden à frente da disputa presidencial, com 51% das intenções de voto, enquanto Trump ficou com 41% dos eleitores.
Destaque ainda para os sinais de progresso nas negociações de um novo plano de estímulo fiscal nos EUA.

Fonte: InfoMoney