CGDF abre investigação sobre supostas fraudes em Ouvidoria da Saúde

A Controladoria-Geral do DF (CGDF) abriu investigação a fim de apurar supostas fraudes em registros de manifestações na Ouvidoria da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. A pasta é a responsável pela Ouvidoria-Geral do DF e vai averiguar, mediante procedimento investigatório preliminar, se parentes, amigos ou pessoas mortas foram usadas para “inflar” as estatísticas.O Metrópoles denunciou nesta quarta-feira (7/10) que a Polícia Civil do Distrito Federal investiga os problemas. De acordo com denúncia protocolada no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), existem 732 casos com indícios de irregularidades.É possível que as demandas tenham sido infladas, assim como as avaliações positivas. O intuito seria elevar os índices de produtividade do órgão.Conforme apuração da PCDF, parte das queixas enviadas à Ouvidoria – e seguidas de elogios aos servidores –teriam sido feitas por parentes e amigos do chefe do órgão, Marcos Paulo Freire Malgueiro Lopes, e do gerente Thyerys Araruna Almeida.A CGDF afirmou por meio de nota que há diversos critérios para acompanhar as demandas da população. Disse, ainda, que qualquer inconsistência ou “movimentos suspeitos serão apurados com rigor”.“A avaliação de resolutividade por parte do cidadão é uma importante ferramenta para verificar se os órgãos estão atendendo a população e, por isso, a Controladoria, pasta responsável pela Ouvidoria-Geral do DF, destaca que fará a investigação”, disse a pasta ao Metrópoles.Conteúdo da denúnciaDe acordo com denúncia apurada pela PCDF, em um dos casos de suspeita de fraude nas manifestações da Ouvidoria da Secretaria de Saúde, foi usado o CPF de um homem que já morreu. Mesmo com atestado indicando óbito registrado há anos, ele figura como sendo responsável por fazer 58 registros na Ouvidoria da Saúde local.Mais sobre o assuntoDistrito FederalOuvidoria da Saúde do DF usa até queixas de mortos para bater meta de produtividadeDenúncia aponta 732 reclamações suspeitas. PCDF investiga se avaliações foram infladas para maquiar índices de resolutividadeDistrito FederalVeja quais são os órgãos do GDF campeões de reclamações e elogiosSegundo a Ouvidoria, entre janeiro de 2019 e janeiro de 2020, a população registrou 149.962 queixas e 14.090 aplausos No relatório da Ouvidoria, também aparecem 81 manifestações de um cidadão que mora em Portugal. Pelo menos no que está computado oficialmente, da Europa ele teria feito reclamações sobre problemas em leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e falta de remédios nos hospitais de Brasília. Apesar de apontar defeitos nos serviços, o homem sempre avaliava as demandas como solucionadas.MetasDe acordo com a denúncia à qual o Metrópoles teve acesso, a Ouvidoria estipula metas de resolutividade. Em 2019, a produtividade a ser batida era de 40% e a Secretaria de Saúde alcançou o percentual. Em 2020, subiu para 50% e, de acordo com dados da pasta, o índice também foi atingido. Nas duas situações, as planilhas foram elaboradas na gestão de Marcos Paulo, que chegou a ser premiado pelo seu desempenho no cargo.Porém, no levantamento ainda em investigação pela Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e aos Crimes contra a Administração Pública (Cecor), os dados foram supostamente fraudados.Como funcionaAs suspeitas pelo alto índice de produtividade começaram porque a resolutividade de uma manifestação só é calculada de acordo com a avaliação do usuário, após o recebimento da resposta.Ou seja, não basta demandar, perguntar e ser respondido: é necessário dar uma nota para o processo. O cidadão pode, ainda, avaliar como resolvida ou não.Para tanto, é necessário disponibilizar nome, CPF e contato pessoal. A manifestação não pode ser anônima. Assim, de acordo com a documentação apresentada ao MPDFT, existem mais de 200 demandas atribuídas a apenas quatro pessoas.Por meio do CPF, foi possível identificar que esses atendimentos teriam sido feitos por Marcos Paulo Freire Malgueiro Lopes e Thyerys Araruna Almeida.Ocorrências suspeitasDe acordo com a denúncia, há outras 500 ocorrências suspeitas. Ao todo, são 732 registros passíveis de terem sido fraudados.Em outra situação estranha, o filho do gerente da Ouvidoria aparece como autor de 82 registros, todos com notas elevadas para os atendimentos. A esposa de Thyerys, segundo a denúncia, fez 67 apontamentos e também avaliou positivamente todos eles.A esposa do ouvidor Marcos Paulo é outra que aparece com frequência na lista de pessoas que demandam o órgão: 21 no total.Secretaria de saude (fachada)A Polícia Civil investiga possível fraude nos dados da Ouvidoria da Secretaria de SaúdeMichael Melo/MetrópolesSecretaria de SaúdeEm 2019 e 2020, a Ouvidoria da pasta se destacou pela quantidade de atendimentos e respostas dadas à população. Porém, agora é questionada sobre as informaçõesFelipe Menezes/MetrópolesMPDFT retruca GDF e diz que não é contra compra de testes para Covid-19A denúncia foi entregue no MPDFT, que ainda não se pronunciou sobre as apuraçõesRICARDO BOTELHO/ESPECIAL PARA O METRÓPOLES0O outro ladoProcurada, a Secretaria de Saúde respondeu que não foi notificada sobre a denúncia de possível fraude no sistema de avaliação de sua Ouvidoria. O espaço permanece aberto pra manifestações.

Fonte: Metropoles