Fortuna dos mais ricos do mundo cresce e atinge pico de US$ 10,2 trilhões em julho

(Bloomberg) — O enorme aumento das fortunas de bilionários dos setores de tecnologia e saúde durante a pandemia de coronavírus pode ser o início de uma tendência mais permanente.O choque da Covid-19 pode atuar como um catalisador para proporcionar maiores oportunidades aos que oferecem soluções digitais ou outros produtos de tecnologia. Ao mesmo tempo, o patrimônio de setores mais tradicionais pode sofrer, disseram UBS e PricewaterhouseCoopers em relatório na quarta-feira.“Os inovadores e disruptivos, os arquitetos da destruição criativa na economia, ainda estão aumentando o patrimônio”, segundo o relatório Billionaires Insights 2020. “O patrimônio líquido de bilionários nos setores de entretenimento, serviços financeiros, matérias-primas e imobiliário ficou atrás do resto do universo.”

Apesar do choque econômico global, as 500 pessoas mais ricas do mundo ficaram US$ 813 bilhões mais ricas desde o início do ano, de acordo com o Índice de Bilionários Bloomberg.A fortuna total dos bilionários atingiu novo pico de US$ 10,2 trilhões em julho em relação aos US$ 8,9 trilhões no fim de 2017, de acordo com as conclusões do relatório. A maior parte veio dos setores de tecnologia e saúde, onde as fortunas aumentaram 43% e 50%, respectivamente. O patrimônio líquido nos setores de entretenimento, matérias-primas, imobiliário e até finanças cresceu 10% ou menos em comparação.“Mais digital”Embora os EUA sejam o país com mais riqueza – US$ 3,6 trilhões -, a Ásia-Pacífico conta com 831 bilionários, mais do que qualquer outra região, e representa 38% da população bilionária global. A fortuna combinada dos super-ricos aumentou 36%, para US$ 3,3 trilhões entre o início de abril e julho, o que adiciona 221 novos bilionários, sendo que 91% deles são mulheres, disseram os pesquisadores em conferência de imprensa.O mundo pós-Covid será “mais endividado, mais digital e menos global”, disse Maximilian Kunkel, diretor de investimentos da unidade global de family office do UBS. “Todos esses pontos devem reforçar essas tendências nos últimos meses.”O crescimento do patrimônio total foi acompanhado por um aumento dos esforços filantrópicos. Os mais ricos do mundo fizeram doações públicas de US$ 7,2 bilhões de março a junho, e talvez ainda mais de forma privada. Os doadores se concentram cada vez mais em resultados tangíveis, como redução da incidência de uma determinada doença, em vez de apenas a quantidade de dinheiro doado.Os resultados abrangem mais de 2 mil bilionários em 43 mercados, que respondem por 98% do patrimônio bilionário, disseram o UBS e a PwC. Os pesquisadores também realizaram cerca de 60 entrevistas com ultrarricos.

 

Fonte: InfoMoney