Professor acusado de racismo diz ter sido “infeliz” ao vestir máscara preta

O professor de medicina Ronald Sergio Pallotta Filho, acusado de racismo ao usar uma máscara preta durante uma aula virtual para simular conversa com um paciente pobre, disse que não teve a “intenção de expor qualquer conteúdo de índole racista”.Ronald Pallotta é professor da faculdade de medicina da Santa Casa de São Paulo. Ele usou uma máscara com um rosto negro – técnica conhecida como “blackface” – durante a aula. A faculdade abriu sindicância para apurar os fatos.Em resposta enviada ao Metrópoles, o professor pediu desculpas, disse que não conhecia, até então, o termo “blackface”, e considerou “inocente e infeliz a escolha e colocação da máscara”, que, segundo ele, “poderia ser de qualquer cor”.Mais sobre o assuntoBrasilProfessor de medicina é acusado de racismo após usar “blackface” em aulaRonald Sergio Pallotta Filho simulava uma conversa com um paciente pobre quando usou a máscara com rosto negro. Faculdade estuda afastamentoPolíticaBia Kicis é alvo de notícia-crime no STF após post sobre trainee da MagaluDeputada federal fez piada considerada racista pelo autor com os ex-ministros Sergio Moro e Luiz Henrique Mandetta em blackfaceBrasilMandetta responde a “piada” de Bia Kicis: “Racista nauseabunda e chula”Deputada Bia Kicis (PSL-DF) publicou nas redes sociais na tarde com os rostos dele e do ex-ministro da Justiça Sergio Moro pintados de pretoPolíticaEm post, Bia Kicis faz piada racista com Moro e Mandetta em blackfaceA deputada federal compartilhou uma publicação em referência ao programa de treinee do Magazine Luiza, que só aceitará candidatos negros“Em nenhuma hipótese tive a intenção de expor qualquer conteúdo de índole racista e sequer era familiarizado com o conceito de ‘blackface’, sobre o qual fui procurar me informar após a repercussão negativa”, escreveu o médico Ronald Pallotta.O recurso “blackface” remete a costume do século 19 de pintar atores brancos de preto, pois não era permitido aos negros atuar no teatro e no cinema. Além disso, os negros eram ridicularizados nessas atuações para entretenimento de brancos.Leia, a seguir, a íntegra do texto enviado pelo professor:“Agradeço a oportunidade e a possibilidade de contraditório.Antes de mais nada, gostaria de esclarecer todo o ocorrido, deixando claro desde já que, embora não tenha sido minha intenção, alguém interpretou minha conduta como ofensiva e por isso peço desculpas.Sou médico formando pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa desde 1989, professor e médico de diversos hospitais, inclusive públicos.No que diz respeito à aula por mim ministrada, a qual é objeto de questionamento, jamais tive a intenção de desrespeitar quem quer que fosse em razão da raça, nível social ou por qualquer outra característica com utilização da máscara na representação que tentei fazer.A aula que estava sendo exposta aos alunos deveria ser presencial e prática, diretamente com pacientes; por este motivo devido às impossibilidades que nos impõe o momento atual me posicionei como ‘ator’ para melhor entendimento dos alunos, apenas tentando acrescer conteúdo pedagógico à explanação.Em nenhuma hipótese tive a intenção de expor qualquer conteúdo de índole racista e sequer era familiarizado com o conceito de ‘blackface’, sobre o qual fui procurar me informar após a repercussão negativa. Ao compreender o que isso representa hoje, me sinto constrangido, mas ao mesmo tempo reafirmo que jamais tive a intenção de ofender. Trata-se de inocente e infeliz escolha a colocação da máscara que poderia ser de qualquer cor – utilizei a disponível.A utilização da máscara tinha por finalidade apenas demonstrar que se tratava de uma encenação, sem qualquer referência à raça do personagem que tentei no meu amadorismo representar.Tenho 30 anos de medicina, boa parte deles prestando atendimento aos menos favorecidos financeiramente e em situação de vulnerabilidade social em hospitais públicos, onde sempre escolhi exercer minha profissão por convicção sobre o papel do médico na vida das pessoas. Nunca medi esforços para dar o melhor atendimento que estava ao meu alcance, inclusive durante a pandemia do Covid-19. Peço que não me julguem baseados apenas neste triste episódio.”

Fonte: Metropoles