Policial civil agride funcionária de hotel em Jericoacoara; vídeo

Uma inspetora da policial civil do Ceará agrediu uma funcionária de um hotel em Jijoca de Jericoaocara. O caso repercutiu nas redes sociais no último domingo (11), e há um vídeo mostrando agressão. Identificada como “Manu” – a forma como um homem chama a policial no vídeo -, a mulher aparece caminhando pelo hotel enquanto filma hóspedes sem máscaras e reclama da falta de medida de segurança no local. No vídeo, a funcionária afirma que a policial está embriagada e também não está respeitando as regras de higiene exigidas como prevenção ao novo coronavírus.

Nesse momento, a policial se vira e agride  a funcionária, exigindo que ela não a filmasse e proferindo xingamentos. Um homem, aparentemente colega da policial, pede calma e separa as duas, também afirmando que a policial estava “fora de si”. O jornal O Povo tentou entrar em contato com a funcionária, mas não obteve resposta até finalização desta matéria. No entanto, o vídeo foi postado pela irmã da vítima, mas excluído algumas horas depois. O Povo conseguiu contato com a irmã da funcionária: “Ela ainda está muito abalada com o que aconteceu. Nem na delegacia conseguiu ir ainda”, disse por volta das 10 horas de segunda (12).
Policial civil agride funcionária de hotel em Jericoacoara: https://t.co/qEy8Ds5sNX pic.twitter.com/rh2gtv7F8l— O POVO Online (@opovoonline) October 12, 2020

Kaio Castro, advogado e coordenador do núcleo jurídico do Sindicato dos Policiais Civis do Ceará (Sinpol/CE), responsável pela defesa da inspetora, pontuou em nota que discorda da versão apresentada pela funcionária. Ele afirma, com base em conversa com a inspetora, que a policial desejava ter acesso às dependências do hotel e, que ao ter a entrada contestada pela funcionária, passou a filmar as outras pessoas como forma de “exigir o mesmo tratamento de outros hóspedes que não lhe foi dado”.
O objetivo da inspetora, segundo a nota, era “registrar o constrangimento e o tratamento desigual, inclusive com descumprimento das medidas sanitárias impostas pelo Governo”. A policial alega ainda ter sido provocada injustamente e ter tido sua honra violada diante da exposição gerada pelo vídeo feita pela funcionária do hotel onde aparece de traje de banho. “A policial, bem conceituada no exercício de suas funções, reitera que não realizou nenhuma agressão à funcionária, apenas tentou parar a filmagem, sendo referido fato isolado em sua vida profissional”, completa a nota.
Kaio destaca que a policial ao tentar interromper a filmagem da funcionária teve o corpo agarrado por esta e acabou sendo jogada ao chão. Ele afirmou ainda que a inspetora irá buscar “as medidas judiciais cabíveis para minimizar a ofensa sofrida”. Enquanto representante do Sinpol/CE, o advogado encerrou posicionamento afirmando: “Opta por não divulgar o nome da inspetora para evitar a exposição desnecessária em redes sociais”.

Além do vídeo O hotel onde confusão aconteceu é o Jeri Village. Cristiana Oliveira, gerente do local, comentou com O POVO o posicionamento do hotel, dizendo ser “inadmissível o que a policial fez”. Segundo Cristiana, a policial, que era hóspede no hotel, chegou ao local na noite de domingo “muito bêbada, com caixa de som, querendo utilizar os espaços em comum”. A gerente disse que a policial estava acompanhada de pessoas não hospedadas e queria utilizar a piscina do local – o que não é permitido. “Nossa recepcionista pediu para ela se retirar. Ela começou a se alterar, se identificou como policial e disse que podia fazer aquilo sim. Agrediu nossa funcionária fisicamente, verbalmente, começou a enforcar”, relata Cristiana.
Após dois colegas da policial separarem as duas, o hotel chamou a polícia local que, segundo relatou a gerente, se recusou a levar as duas envolvidas até a delegacia de Camocim para fazer exame de corpo e delito. “Ele (comandante) disse que a viatura não é taxi”, conta Cristiana. Para ela, o comandante privilegiou a colega de profissão e chegou a agredir a proprietária do hotel. Na hora em que O POVO conversou com a gerente do Jeri Village, a proprietária, identificada como Antônia Maria, estava sendo atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade.
Nesta terça-feira, 13, o advogado da pousada deve chegar na cidade para acompanhar a proprietária do hotel e a funcionária agredida na investigação em Camocim.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) disse que a ocorrência envolvendo uma policial civil e uma funcionária de uma pousada no município de Jijoca de Jericoacoara está sendo apurada. “Todas as circunstâncias do fato, bem como do atendimento prestado pelos profissionais de segurança acionados até o local são acompanhados pela pasta. Oitivas ocorrerão ainda nesta segunda-feira (12), na Delegacia Regional de Camocim”, diz o texto. As informações são do Jornal O Povo.

Fonte: Correio24horas