Home office pode gerar renda extra anual de R$ 22 bi no Brasil

Os benefícios do home office, inicialmente imposto pela pandemia, foram se revelando ao longo desses sete meses de isolamento social e se estabeleceram na nova dinâmica das relações de trabalho. A conectividade, assegurada por uma infraestrutura de telecom robusta, garante que uma série de atividades, em diversos segmentos da economia, seja prestada de forma remota, resultando inclusive em redução de despesas familiares e aumento de renda para os brasileiros.Pensando sob essa perspectiva, desenvolvemos na Conexis Brasil Digital – a nova marca do SindiTelebrasil – um estudo sobre o teletrabalho e o impacto na renda das famílias. Pelo levantamento, o home office tem um potencial de gerar uma renda extra anual de R$ 22 bilhões no orçamento familiar dos brasileiros, resultando em impacto positivo em toda a economia.Com base em parâmetros da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017/2018 (POF/IBGE) atualizados para 2020, verificamos que o trabalho em regime de home office pode aumentar em 43% a renda mensal disponível das famílias brasileiras, subindo de R$ 847 para R$ 1.215, em média, já descontadas as despesas. Isso representa, por domicílio um incremento de R$ 368 ao mês.Incremento de R$ 368 ao mês por domicílioSegundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD/IBGE), e incluindo uma estimativa para o trabalhador do setor público, em junho deste ano havia 5,4 milhões de pessoas trabalhando em domicílio, o que representava 6,9% da população ocupada, num contexto de redução de 10 milhões de pessoas ocupadas devido à crise. Em março de 2019, essa proporção era de 5,7%.Os levantamentos mostram que esses novos hábitos de atividades remotas já se consolidaram como uma forte tendência. Estudo do IPEA (“Potencial de teletrabalho na pandemia: um retrato no Brasil e no mundo”) estimou que há um potencial de mais de 20 milhões de pessoas ocupadas que poderiam passar a trabalhar em domicílio.Mais de 20 milhões de pessoas ocupadas que poderiam passar a trabalhar em domicílioOutro estudo, desta vez da BCG, indica que as empresas esperam alterar permanentemente suas políticas de trabalho. Pelo levantamento, antes da pandemia, 63% das empresas empregavam menos de 5% de seus funcionários trabalhando em domicílio. O mesmo estudo aponta que, depois da pandemia, 50% das empresas esperam que entre 25 e 50% de seus funcionários passem a trabalhar em casa.Tudo isso tem sido possível por meio da conectividade, garantida pela rede de telecomunicações brasileira, que já recebeu investimentos privados de R$ 1 trilhão desde a privatização do setor, em 1998. Ao ano, são investidos em média R$ 32 bilhões, especialmente em expansão de infraestrutura e melhoria da qualidade e cobertura.Mesmo diante da retração econômica imposta pela covid-19, o setor respondeu com aumento de investimentos. No segundo trimestre de 2020, os investimentos em telecomunicações chegaram a R$ 7,2 bilhões, valor 4,3% maior do que os recursos aplicados de janeiro a março deste ano, de R$ 6,9 bilhões, somando R$ 14,1 bilhões no trimestre.Novo nomeO mundo está mudando e também a maneira de trabalhar, de estudar, de fazer negócios, se divertir e se relacionar, e o setor de telecomunicações, que é base de toda essa transformação, está mudando junto.Partindo da necessidade de ter uma marca mais alinhada com os valores de sustentabilidade, de promoção da economia digital e de conexão das pessoas, a representação institucional do setor decidiu mudar seu nome de SindiTelebrasil para Conexis Brasil Digital, tornando ainda mais forte nosso propósito de digitalizar o País e de conectar todos os brasileiros.***Marcos Ferrari, colunista mensal no TecMundo, é presidente-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e foi diretor de Infraestrutura e Governo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Também foi secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento de 2016 a 2018 e secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Além disso, exerceu o papel de presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo.

Fonte: Tecmundo