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No Divã – Dia 20 de Abril



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Publicado em 22/04/2013 às 17h12Paulo Antolini – [email protected]
Os vários tons de verde

Eis uma pergunta para você responder: Quantos tons de verde têm visto nos últimos tempos? Talvez queira interromper a leitura e pensar um pouco, talvez já tenha se respondido e esteja se perguntando onde quero chegar com ela?



Tons claros, médios e escuros foram as respostas de várias pessoas em uma reunião onde falávamos sobre liderança. Apenas uma disse não conseguir contar quantos tons se apresentam na natureza, principalmente quando ela vai ao parque caminhar. “São inúmeros”, ela falou, empolgada.



Quando saio da Marginal Tiete e entro na Rodovia Dutra, sentido Rio de Janeiro, sinto-me pressionado por um bom tanto de estrada, até que as construções de fábricas e outros imóveis comecem a rarear. Uma estrada em que se pode andar a mais de 100 km/h e é como se estivéssemos em uma rua dentro da cidade. O mal estar só passa quando o verde aparece às margens da rodovia. Comentando isso com um amigo ele me disse só agora ter entendido o porquê ele se sentia mal sempre que iniciava sua viagem para Caraguatatuba, litoral paulista, onde tem uma casa. “É isso”, disse ele.



Com o grupo onde o tema era liderança, uma nuvem de preocupação tomou conta dos participantes, pois a pergunta feita nos remete diretamente à nossa capacidade de percebermos as coisas ao nosso redor. Um do grupo perguntou: “Como será que estamos percebendo nossos subordinados?” O silêncio só foi rompido alguns minutos depois com uma nova pergunta: “O que podemos fazer para mudar isso”. Paremos aqui com o grupo.



Com tanta correria e agitação em nosso dia a dia, uma grande maioria está passando por pessoas e coisas sem vê-las. As situações para elas estão sendo vividas com um afunilamento de percepção que cega.



Um amigo, ao elogiar a beleza da esposa do outro para ele, despertou um olhar de surpresa e um comentário “Não é que ela está bonita mesmo, eu nem tinha percebido”. Parece piada, mas não é. Há uma tendência das pessoas se acostumarem com o que vivem e com quem vivem, descuidando-se e não mais olhando para sua parceira ou parceiro com os olhos límpidos.



Quantas vezes já foi dito “a solução estava na minha frente e eu não a via.” Quando as preocupações passam a ocupar todo o cenário de nossas vidas, ocultando outras telas, fecharam-se as possibilidades de se identificar alternativas ou mesmo soluções. Uma pessoa me disse ter ido ao parque caminhar e fotografar, ter visto uma folha seca sobre a relva cheia de gotas de orvalho, fotografou-a e ficou linda. Disse ainda ser uma pena as pessoas não repararem em coisas tão simples, mas tão belas. Quanto acerto em sua afirmação.



A vida possui um colorido que envolve todas as cores e todos os tons, utiliza de todas as intensidades e desenha então as mais diferenciadas obras de arte, obras dinâmicas, cheias de energia e movimentos, modificando-se a cada olhar, a cada segundo. Muitos continuam a dizer: “Eu já vi, eu já conheço”, como se o já visto não tivesse sofrido alterações.



Pessoas passam anos pelas mesmas ruas e não conseguem ver as novas fachadas, novas cores, novos vizinhos, pois seus olhares estão focados apenas no chegar, como se o caminho não tivesse importância.



Ir caminhar no parque e buscar os vários tons de verde é um exercício muito mais significativo e importante do que possam imaginar. Andar pelas ruas como se fosse a primeira vez, observar cada detalhe e de vez em quando deter-se frente a eles gera uma ampliação na capacidade perceptiva das pessoas e melhora a condição investigativa delas para com as situações que vivem.



Pena os que dizem “não tenho tempo para isso, tenho coisas mais importantes para fazer.” Estão jogando fora não só as oportunidades de resolverem seus obstáculos com maior rapidez e asserto como também de não se sobrecarregarem de tensões.



Quando começamos a perceber os vários tons de verde, começamos também a desenvolver uma visão mais otimista e generosa da vida.

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