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No Divã – Dia 29 de Junho



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Publicado em 01/07/2013 às 14h38Paulo Antolini – [email protected]
Consultório. Cliente 1. Ele chegou e encabulado relatou sua noite de sábado. “Fomos a uma festa na casa de um casal amigo. Estava tudo muito bom, petiscos, músicas e…” Fez uma pausa e então continuou: “… e as bebidas. Tomei todas. Já bebi de ficar alegre e eufórico, mas como desta vez, nunca. Não me recordo de como cheguei em casa e como fui para cama. O problema foi quando despertei no dia seguinte: a vergonha para encarar minha mulher. Quando fui tomar café ela já estava tomando o seu e me deu bom dia. Seu olhar era de riso, contido. Respondi baixo e nem a olhei diretamente. No final, Dr., ela não conseguiu segurar mais e caiu na risada…”.



Seu relato trazia a amorosidade com que a esposa estava a lidar com ele em seu porre fenomenal. Citou o quanto ele se tornou cômico em suas tentativas de caminhar direito. Falou das brincadeiras que seus amigos fizeram, pois nunca haviam visto ele naquele estado e encerrou contando que ao virar sua xícara sob ela encontrou duas aspirinas e um antiácido efervescente. Disse que ai ela riu muito mais, pela sua expressão.



Cliente 2. Chegou atrasado. Mal humorado, disse quase ter desistido de vir. Tinha tido uma briga feia com sua companheira. Casados há mais de dez anos, disse nunca ter feito qualquer extravagância com bebidas. Comemorando com a esposa sua última conquista no trabalho, tomou vinho mais do que o habitual e sentiu-se enjoado, foi para o banheiro e colocou tudo para fora. Ao voltar para a sala encontrou uma avalanche de recriminações e ameaças, dizia que não estava para viver com alcoólatra e assim por diante. Ele estava passado com a reação dela. Após dura discussão, pegou o carro e foi para uma choperia, onde seus colegas costumavam se reunir, e viviam convidando-o. Sabia que os encontraria lá. “Desta vez eu vou”. Contou ter chegado em casa bem alterado. Nem foi para o quarto, recostou-se no sofá, pois tinha tudo rodando ao seu redor.



Os dois clientes permaneceram em trabalho terapêutico por mais um bom tempo. O primeiro não mais trouxe nada em relação à bebida, às vezes trazia algum comentário sobre as brincadeiras que aquele evento rendia entre ele e sua esposa. Já o segundo incluiu em sua lista de assuntos a serem tratados o novo hábito, o chegar mais tarde em casa, pois desde aquela noite sua mulher sempre dava um jeito de voltar ao assunto do mal estar e depois sua saída.



Nenhum dos dois desenvolveu um comportamento crônico para com a bebida. O acontecido para ambos foram pontuais e sem maiores consequências pessoais, salvo as reações desencadeadas nas esposas: a primeira desfrutou de bons momentos de humor, enquanto a segunda extravasou uma série de temores, possivelmente gerados por observações ou mesmo vivências passadas. No mínimo podemos afirmar que ela possui uma visão negativa da vida.



Dependendo da forma de olhar as ocorrências, elas podem ser apenas algo que aconteceu e passou ou ser perpetuadas, quando não teriam sido, caso a forma de lidar tivesse sido diferente.

Dar importância demasiada aos acontecimentos traz na maioria das vezes, um efeito contrário ao desejado pelas pessoas. Raras as pessoas que em algum momento de suas vidas não cometeram algum tipo de excesso, e nem por isso esse comportamento se instalou, repetindo-se pela vida afora.



Pais que ao receberem o filho em seu primeiro porre e tiveram a consciência de que nem por isso ele era um alcoólatra, cuidaram de seu estado e em momento seguinte apenas conversaram mostrando as consequências de exagero, o jovem possui hoje o equilíbrio do beber. Aqueles que apenas castigaram e buscaram o controle através da proibição, ampliaram a possibilidade desse garoto buscar outras oportunidades para beber.



Os exemplos aqui foram com o olhar sobre o beber, mas serve para qualquer situação. A forma de lidar da esposa e pais 1 desenvolvem o amadurecimento. A forma de lidar da esposa e pais 2 desenvolvem a revolta e rebeldia.



Aprender a olhar sem a negatividade ou dramaticidade é um exercício que ao ser aprendido, beneficia a pessoa que olha e aos que convivem com ela.

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