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No Divã – Dia 13 de Julho



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Publicado em 15/07/2013 às 11h27Paulo Antolini – [email protected]
Um olhar especial

Antigamente eram chamadas de deficientes. Passaram a ser identificadas como portadoras de deficiências. O significado principal da alteração? As pessoas deixam de ser deficientes e passam a ter uma deficiência. A mudança conceitual tem grande expressão na forma como são olhadas.



Hoje muito se fala sobre inclusão, há iniciativas para tal, mas há um obstáculo que muito tem atrapalhado o pleno sucesso da intenção: o próprio ser humano. Através da dificuldade que possuímos de olharmos nossos preconceitos, fazemos com que fiquem cada vez mais fortes.



Prefiro me referir a essas pessoas como portadoras de limitações, pois deficiência é um termo que significa falta, como se a pessoa não fosse completa. Limitação determina a ida até certo ponto, o que nos leva a termos uma compreensão diferenciada.



Como seres humanos “normais”, costumamos criticar aos que fazem diferenciações sociais, raciais, étnicas e outras mais, esquecemos de observar as diferenciações que fazemos com as pessoas ao nosso lado e que carrega consigo uma determinada limitação. Quando a limitação é visual e física, se evita até o olhar direto, quando é de comportamento, usa-se a clássica frase: “ela não serve para essa atividade, não tem condições.”



Na verdade não há uma disposição real nossa, “normais”, para acolhermos e convivermos lado a lado com essas pessoas, pois na maioria das vezes suas limitações despertam em nós uma ansiedade sufocante. Em vez de admirarmos o esforço alheio, preferimos tirá-las de nosso campo de visão. Estabelece-se o famoso “O que os olhos não veem o coração não sente.”



Faz falta a prática da tão propagada compaixão. Minha definição para compaixão é: “a compreensão amorosa da limitação temporária de alguém!” Não é fácil, porém é um exercício constante nosso de aprendizagem e principalmente de gratidão, por estarmos libertos e não sofrermos de algo semelhante.



Não são os portadores de limitações que não conseguem ser produtivos, ao contrário, eles são e muitos, pois o que se propõem e podem fazer o fazem com muito esmero. Somos nós que não conseguimos ter para com eles um olhar especial! Não conseguimos perceber o sofrimento que passam não pela limitação, mas pela discriminação. E a esse sofrimento a responsabilidade é toda nossa, “os normais”.



Chefias, colegas, e demais pessoas com as quais elas convivem fazem-nas passar por severos constrangimentos, pois críticas, cobranças descabidas, o tão comentado e moderno bulling ocorrem com a naturalidade de quem não identifica o mal que está fazendo.



As pessoas que se encontram limitadas sofrem, e sofrem muito também seus familiares, pois se sentem impotentes em poder poupá-las desse sofrimento. Esse alívio, apenas nós, sociedade, é que podemos oferecer.



Há uma característica nelas muito desprezada e, portanto, não percebida: a sensibilidade que possuem. Normalmente são pessoas amorosas, íntegras e possuem uma pureza que expressa ingenuidade. Há também aquelas que são revoltadas pelo que passam, mas muito da revolta se deve ao fato de sofrerem a não aceitação daqueles com quem convivem e são em muito menor número.



Havia culturas (e ainda há) que matavam seus filhos quando identificados com alguma limitação. Outras que os mantinham (mantém) segregados e isolados do mundo externo, evitando principalmente a vergonha que sentiam (sentem) por ter alguém assim na família e também, em segundo lugar, poupar a pessoa da exposição externa.



Leis não surtem efeitos desejados, pois a obrigatoriedade faz o preconceito ficar ainda mais forte, temos exemplos de sobra.



O necessário é que possamos perceber nossas limitações, pois se as delas são motoras, visuais, auditivas, raciocínio, etc, as nossas são de aceitação e principalmente amorosidade para com nossos semelhantes. A meu ver, limitações maiores que a delas.



Olhemos especialmente para nós e teremos um olhar especial para elas!

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