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No Divã – 27 de Abril



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Publicado em 29/04/2013 às 16h00Paulo Antolini – [email protected]
Uns instantes x 24 horas

Não raro pessoas chegam ao consultório envoltas por certo desânimo, pois haviam se proposto novos comportamentos, sentiam-se em novos estados de espírito e ao final de algumas horas, ou mesmo no dia seguinte, deram-se conta de que estavam agindo como antes, sentindo-se como antes, como se nada tivesse sido refletido, pensado, decidido.



Várias são as razões para isso. Uma delas é o não ter ainda esgotado todo o assunto e então, o que ficou para traz se manifesta com forte impulso para a insatisfação. Há muitas outras razões, mas quero abordar uma que está presente em todas elas: o tempo vivido. E aqui estou me referindo ao tempo cronológico mesmo.



Procurem recordar de momentos em que se sentiram muito empolgadas com determinadas situações, dispuseram-se no mesmo momento a darem sequência ao definido e dias depois isso já foi para o esquecimento, passando antes pelo “não vai dar certo”; “eu não vou conseguir”. “isso é pura ilusão de minha parte” e assim mais outros pensamentos que expressaram o desânimo e desencanto com o que havia sido definido.



O que tem o tempo cronológico com isso? Como nos o criamos, o dia tem 24 horas e dentro de cada hora há 60 minutos. Pode ser representado em uma reta com as devidas marcações.



Conforme vivemos esses minutos vamos preenchendo-os em uma sequência lógica. O tempo não muda e nem sofre variações. Quem muda e sofre variações somos nós, seres humanos.



Poucos se lembram que ao se definirem por uma nova postura, ao terem feito uma nova escolha deverão se manter atentos a elas não só quando as fizeram, mas e principalmente depois, minuto após minuto as pessoas precisam se lembrar e se manterem dentro de suas decisões.



Um exemplo muito comum e que ataca desafiadoramente são os que sofrem de depressão. Após muita dificuldade para decidirem ir a um cinema, uma festa, um local mais animado, vão e se sentem bem. Decidem que irão aceitar mais convites, irão buscar oportunidades de distração e assim terem uma nova vida. Chegam em casa felizes e sonhando para o dia seguinte. Quando acordam as vezes nem se lembram de suas propostas, ou se lembram mas é como se não tivessem forças para dar o novo preenchimento à sucessão de minutos que estão compondo seus novos dias. Pronto, eles se tornaram repetitivos.



Não basta em determinado momento dizer que quer, é preciso lembrar que haverá uma série de momentos e que eles precisarão ser enfrentados e preenchidos em suas sequências. Para isso é preciso que se estabeleça uma estratégia e ela começa exatamente com essa percepção de continuidade de momentos.



Ajuda muito escrever o que se quer. Colocar no papel e deixar em local de fácil visão. Ajuda também se for colocado o como se vai fazer, pois quando começar a se sentir abalada, ao ler sua proposta fica mais fácil de retomá-la. Uma conhecida decidiu que não iria mais ficar se atormentando pelo que seu ex-marido havia feito. Após alguns meses, ainda agindo como antes ao conversar sobre o não conseguir, apesar da empolgação quando conversávamos, resolveu que ao começar a pensar nele, pegaria o tricô e faria roupas infantis. Ela brinca que abasteceu a maternidade municipal de casaquinhos, tanto que o pensamento retornava, mas que hoje isso não mais ocorre.



A brincadeira dela é significativa, pois é real a dificuldade da mudança dos pensamentos e que muitas e muitas vezes somos solicitados a exercitar nossa firmeza de propósito. Ao fazer os casaquinhos após algum tempo, disse que mesmo assim lembrava, então começou a imaginar as crianças que iriam usá-los. Desses pensamentos passou a lembrar de seus filhos enquanto pequenos, de seus netos e sobrinhos e com isso conseguiu romper os pensamentos repetitivos, antes ficava a andar de forma descompensada, hoje além de tudo aprendeu a ficar calma e quieta, aprendeu a refletir no que a incomoda e diz já saber o que fazer para preencher os momentos seguintes às suas decisões.

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