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No Divã – Dia 6 de Julho



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Publicado em 08/07/2013 às 15h39Paulo Antolini – [email protected]
Jogos no relacionamento

Inacreditável que após tantos exemplos infelizes as pessoas possam ainda estar cometendo os mesmos e mal fadados comportamentos. São os jogos que possuem como função a manipulação de outrem para se conseguir o que, de forma direta e franca não se está conseguindo.



Manipulação e chantagem! Dois termos que nas dificuldades da conquista do que se pretende, as pessoas lançam mão achando que dessa forma tudo terminará como desejado. Manipular: engendrar, forjar, fazer parecer para que se encaminhe como se quer. Chantagem: conquistar através de ameaças, reais ou não.



É muito comum e em todos os segmentos de nossas vidas o buscar desses recursos. Muitas vezes tem início em um aparente e inofensivo agir pela troca: “Você faz isso e eu faço aquilo”. Uma falsa noção de compensação. As respostas começam a não ser satisfatórias e então o cobrar vai se tornando mais e mais intenso.



O casal não está conseguindo um entendimento. Um deles, por se sentir mais desprestigiado no que quer, não só pensa como chega a verbalizar para os mais próximos: “Ele (a) vai ver só”.



Afirmação comum e catastrófica. A separação é pedida. O outro lado as vezes é pego de surpresa, mas concorda. De repente, quem tomou a iniciativa encontra com o (a) ex acompanhada por outra pessoa. O ressentimento é imediato. O tiro saiu pela culatra, expressão antiga para dizer que voltou para quem fez o que deveria atingir outro.



A ideia inicial era provocar uma situação de instabilidade e ciúmes, mas acabou gerando algo inesperado: que o outro levasse a sério e ao pé da letra o que foi colocado. Quem manipula acredita que sempre manterá o controle das situações. Ledo engano. Certa feita o marido tentando manter a esposa sob seu comando, além de chantageá-la afetivamente, começou uma pressão quanto a partilha dos bens. Ela simplesmente pegou algumas roupas e saiu de casa. Deu entrada ao pedido de separação e não fez nenhuma exigência ao que tinha direito. Começou do zero, morando com uma amiga e em menos de um ano tinha seu negócio próprio, fazendo os petiscos que seu marido sempre ironizou. Por várias vezes ele tentou reatar o casamento. Palavras dela: “Se eu soubesse que seria tão bom, teria ido embora há muito tempo”.



Em situações de trabalho a tentativa de manipular e chantagear também ocorre. Após já ter pontuado algumas vezes para o seu patrão que estava sendo procurado com ofertas salariais tentadoras, sempre obtendo a informação de que não poderia receber mais do que o valor estipulado, em determinada manhã chegou dizendo ter recebido uma oferta do dobro de seu salário, mas que gostava de onde estava e então pediu para seu superior ver o que ele podia fazer.



Quando voltou do almoço foi barrado em colocar seu avental e levado à presença do chefe. “Pode passar no escritório de contabilidade, sua demissão já está assinada e você está dispensado do aviso prévio, não posso lhe pagar mais e não vou atrapalhar seu futuro.” Mesmo sendo um bom profissional, ficou meses sem emprego e acabou depois aceitando uma colocação por quase a metade do que ganhava antes.



Também patrões ficam a “ameaçar” seus funcionários com a pressão da demissão, de que já paga demais e não sente reconhecimento, e assim por diante. Não raro são surpreendidos após esses discursos com pedidos de demissão sem retorno, pois os funcionários entenderam que, já que não eram bem vistos e eram apresentados como pesos para a empresa, buscaram outras oportunidades, deixando esses patrões a “ver navios”, expressão que indica ficar a esperar algo que não chega.



Pessoas perdendo seus entes amados, funcionários perdendo bons empregos e patrões perdendo bons funcionários, tudo pela atitude orgulhosa de pessoas que não se permitem aceitar que o mundo não é feito para atender as vontades individuais, sem se levar em conta as vontades dos que convivem nesse mesmo mundo.



Querer que tudo seja como só um quer é fadar-se à solidão e insatisfação crônica.

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