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10313 Agricultura Foi O Sustento Da Economia

Leitura obrigatória

Publicado em: 01/12/2016 09h11 – Atualizado em 07/12/2016 10h09

Agricultura foi o sustento da economia

Na década de 1940, cultura do café ganhou espaço, seguida da batata, tomate e uva

Anieli Barboni



Atualmente, o Distrito Industrial é a principal fonte de renda da cidade, porém, antes de sua criação, na década de 1970, a agricultura era a principal economia, assim como em outros municípios da região. No século 19, a cultura de cana-de-açúcar tinha a maior importância econômica. A partir da década de 1940, o café predominou; paralelamente, tinha a plantação de batata e depois chegaram o tomate e a uva.
O agrônomo indaiatubano Sinézio Martini participou ativamente da economia cafeeira de Indaiatuba. Em depoimento cedido pela Fundação Pró-Memória de Indaiatuba, Martini contou que no início de 1940 foi estudar em Piracicaba. Após quatro anos, retornou a Indaiatuba e começou a produzir mudas de café na fazenda de seu pai. “Eu produzi muito, teve ano de produzir um milhão de mudas, e vendi toda produção, principalmente para o Norte do Paraná. Eu produzia as variedades de café Mundo Novo, Bourbon e Caturra. Foram quatro anos de produção intensiva”, conta.
O pai de Martini chegou a Indaiatuba por volta de 1927. “Ele começou plantando café, produzia cereais, criava porcos. Na crise de 1929, quando todo mundo estava arrancando café, meu pai plantou e devagarzinho foi formando o cafezal na fazenda, o que sustentou a vida dele inteira. Até 1960 ele produzia muito”, relembra.
O agrônomo conta que em 1948 começou a avançar a cultura do tomate na cidade. “No ano de 1954 a colônia japonesa estava desenvolvendo muito na fazenda Bicudo, Pimenta. Em 1965 foi o auge do tomate. Nessa época, houve uma crise porque foi descoberto que estavam passando Neantina, que é um produto proibido à base de mercúrio, e o consumo parou em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Havia, por semana, 550 caminhões de tomate sendo liberados por mim, pessoalmente, para atestar que não havia usado a Neantina nos tomates, para poder seguir”, recorda.
Martini lembra que na época também tinham muitos plantadores de batata e os portugueses de Campinas vinham até Indaiatuba para comprar o produto. “As plantações de batata se concentravam no Mirim e no Mato Dentro”.
De acordo com o agrônomo, no ano de 1954, o prefeito Jacob Lyra pediu que ele organizasse uma coorporativa de agricultores porque tinha muita adubação química naquela época. “Isso era tudo importado, o superfosfato vinha da França e os agricultores individuais não teriam condições de fazer aquisições substanciais que pudessem baratear o preço do carreto”, lembra. “Em 1955, prestei concurso para a Secretaria de Agricultura e fui nomeado para a Casa da Lavoura da cidade. Fiquei até 1972, acompanhei a agricultura por 17 anos. Houve uma revolução iniciada pelos japoneses, e fizemos a 1ª Festa do Tomate na Vila Furlan, onde era a fábrica Gryschek. Depois fizemos outras festas”, diz. “No período de 55 e 56 também começou a desenvolver a viticultura em Itaici”, acrescenta.
Martini também foi vereador da Câmara de Indaiatuba por dois mandatos, entre 1956 a 1959, e 1960 a 1963. No ano de 1960, ocupou a presidência da Casa. Em 1963, Sinézio chegou a ser prefeito de Indaiatuba, pois o prefeito Alberto Brizzola foi cassado e o vice Odilon Ferreira pediu seu afastamento.

Casarão Pau Preto, com a tulha e a casa de máquinas para o beneficiamento do café (Crédito: Arquivo Pró Memória )
O cultivo do tomate ganhou força na década de 1970, com os japoneses
O cultivo do tomate ganhou força na década de 1970, com os japoneses (Crédito: Arquivo Pró Memória )
Plantação de tomate da década de 1970 também está registrada na fundação
Plantação de tomate da década de 1970 também está registrada na fundação (Crédito: Arquivo Pró Memória )

Uma cidade marcada pelo tomate durante três décadas

Os primeiros colonos japoneses vieram a Indaiatuba em 1935. Doze anos depois, em 1947, foi organizada uma associação de japoneses, atualmente conhecida como Associação Cultural Esportiva Nipo Brasileira de Indaiatuba (Acenbi). A década de 1950 assistiu ao boom da cultura do tomate em Indaiatuba, mas, antes, os japoneses se dedicavam ao algodão.
De acordo com a Revista Comemorativa de 60 anos da Acenbi, a história da imigração japonesa na cidade começou em 1930 – período marcado por uma crise na economia brasileira gerada pela queda na exportação do café. “Os imigrantes japoneses da região de Campinas conseguiram sobreviver nesse período devido às pequenas plantações de arroz e algodão. O imigrante Nakaji Gomassako morava em Campinas e, em 1935, mudou-se para a cidade vizinha, na Fazenda Pimenta, trazendo sua família e iniciando num terreno arrendado sua plantação de algodão”, cita a revista.
Em 1941, de acordo com a revista, também vieram para a Fazenda Pimenta Teruo Imanishi e Uichi Miyake. Em seguida, vieram os senhores Takahashi e Miura, formando uma pequena colônia japonesa. Esses imigrantes cultivavam principalmente o algodão, mas paralelamente foram introduzindo a plantação de tomate. Após a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945), a migração das famílias japonesas aumentou, mas muitos migraram para o norte do Paraná e para regiões próximas a São Paulo, como Campinas e Jundiaí. Após isso, os japoneses chegaram a Indaiatuba, sendo que a maioria estabeleceu-se em fazendas, empenhados no cultivo da terra.
Produções
A localização de Indaiatuba, com excelentes condições de transporte, contribuiu para que a cidade fosse uma grande produtora de tomate e, a partir do ano de 1950, houve um aumento na produção da fruta. Na segunda metade da década de 1950, Indaiatuba já era conhecida como grande produtora de tomate. Uma das famílias japonesa que contribuiu para o cultivo da fruta na cidade foi a família do agricultor e atual diretor de beisebol da Acenbi, Haruo Uyeno, de 51 anos.
Uyeno conta que chegou a Indaiatuba com quatro anos de idade, antes o agricultor morava em Iretama, no Paraná. “Comecei a plantar tomate com cinco ou seis anos de idade. Meu tio plantava tomate aqui e éramos produtores da mesma fruta na cidade de Iretama. Viemos embora de caminhão e chegamos aqui em 1970, ficamos na Fazendo Pimenta, em uma colônia japonesa, durante dez anos”, diz. “Meu pai plantou tomate na cidade durante 15 anos. Nós mandávamos o produto para muitos locais como Goiás, por exemplo. Porém, essas cidades começaram a ter seus produtores próprios, com isso, não tinha mais mercado e muita gente quebrou. Depois disso, fui morar em Minas Gerais um tempo, plantar tomate também, eu tinha 18 anos na época. Minha mãe falava que tínhamos que ajudar meu pai e queríamos comprar uma fazenda, então ao invés de estudar, começamos a ajudar na plantação”.
Além de Minas, o agricultor morou um tempo no Japão. “Também tivemos uma queda na venda de tomate e quebramos. Foi quando, em 1989, me mudei para o Japão e lá trabalhei em uma montadora de carros. Voltei para Indaiatuba e fiquei pensando no que iria trabalhar. Como sempre fomos da lavoura, conheci a produção hidropônica, que estava começando aqui em São Paulo e conheci um professor da Unicamp. Comecei a estudar a técnica de hidroponia, iniciei o plantio e estou há 22 anos trabalhando com isso”, fala.
Uyeno recorda que, junto com seu pai, iniciaram a técnica de hidroponia com quatro estufas, isso em 1994. “Hoje, temos 75 estufas, cultivando alface, rúcula, almeirão, agrião, entre outros – ao todo, são dez variedades de folhagem, inclusive estamos iniciando com o tomate novamente, mas na estufa”, revela o agricultor. “Sempre tivemos saudade do tomate, é um produto que dá lucro. Atualmente, entregamos as folhas nos mercados da cidade e região, mas nosso forte é Campinas. Por dia, mandamos para os estabelecimentos 4 mil maços de folhas, mas colhemos e plantamos no mesmo dia, como em uma fábrica. Temos pouca mão de obra, se tivesse como antigamente não dava para se sustentar. Também aprimoramos e hoje em dia temos acompanhamento de agrônomo, antes não tinha isso”, afirma.
Além da plantação hidropônica, a uva é hoje a principal cultura agrícola do município, sendo o 5º maior produtor estadual.

Haruo Uyeno começou a plantar tomate ainda criança e continua com o cultivo até hoje
Haruo Uyeno começou a plantar tomate ainda criança e continua com o cultivo até hoje (Crédito: Werner Munchow)
Terceira edição da tradicional Exposição do Tomate, na década de 1960
Terceira edição da tradicional Exposição do Tomate, na década de 1960 (Crédito: Arquivo Pró Memória )
Produtores de tomate reunidos em confraternização na década de 1960
Produtores de tomate reunidos em confraternização na década de 1960 (Crédito: Arquivo Tribuna de Indaiá )

Têxtil Judith é lembrada pela oferta de empregos

A agricultura na cidade foi diminuindo e dando espaço à indústria. As primeiras indústrias começaram a ser instaladas na cidade em 1920. Entre 1930 e 1945, instalaram-se diversas indústrias de transformação de madeira, como a de cabos de guarda-chuva. Após 1940, instalaram-se as indústrias têxteis. Já na década de 1960, o município recebeu indústrias mecânicas e metalúrgicas. Com o desenvolvimento, em 1973, foi criado o Distrito Industrial. Em 1975, a cidade já contava com 75 indústrias, chegando a 422 indústrias no ano de 1980.
Uma das empresas que teve importância no cenário econômico da cidade foi a Têxtil Judith, na fabricação e confecção de fios, tecidos para decoração e tecidos técnicos, que foi instalada na cidade em meados da década de 1940 – a empresa foi fundada em 1937, em São Paulo. Seu fundador foi Domingos Giomi. Segundo informações históricas, o nome da empresa foi em homenagem a sua filha Judith Giomi, depois casada com Rafaello Fantelli, que assim como o cunhado Valdemar Giomi, trabalharam por mais de meio século na empresa.
A atual diretora da Judith, Sandra Regina Mendes Nedrotti, conta que o antigo proprietário, visitando a cidade, gostou e ficou em dúvida entre Americana e Indaiatuba para instalar a Judith, mas a esposa dele gostou do município e por isso escolheu Indaiatuba. Sandra assumiu a frente da empresa para ajudar seu pai (José Mendes, o Tulo) que trabalhou durante muitos anos na fábrica. “Meu pai entrou na Judith em 1960, ajudando na contabilidade, depois passou a ser diretor e ficou até falecer, em 2012. Foram 52 anos de dedicação à empresa”, lembra. “Eu comecei a ajudar meu pai em 2010 porque percebi alguns sinais e falhas dele, que já era da doença, e como as famílias herdeiras não tiveram interesse de dar continuidade, foi feito um acerto com meu pai e ele acabou virando sócio”, relata.
Inicialmente, a empresa foi instalada na Rua 24 de Maio. Na época, a Judith forneceu centenas de empregos, chegando a seu auge, nas décadas de 1970 e 1980, com 1,2 mil funcionários. “Era amaior empresa de Indaiatuba, até vir a Filtros Mann. Depois, a Judith mudou para o Distrito Industrial e há dois anos está instalada na Rodovia Engenheiro Ermênio de Oliveira Penteado. Hoje temos 74 funcionários”, diz.
A diretora também ressalta que na empresa, a maioria dos funcionários era mulher e a fama da Judith era de ser casamenteira. “Muitos casamentos se formaram aqui. O que marcou muito também a empresa foi a caixa d’água, que era um marco na cidade – na época do Natal, ela era enfeitada”, cita. “E toda a vizinhança se baseava na sirena da fábrica, porque foram anos da sirene soando nos mesmos horários de troca de turno. O terreno foi vendido, e o prédio e a caixa d’água foram demolidos, se não me engano isso aconteceu em 2011”, relata.
Queda
Diante da abertura do mercado internacional, principalmente para os tecidos vindos da China, a Têxtil Judith passou por um declínio. O carro-chefe da Judith sempre foi o tecido voil. No auge da empresa também se fabricavam tecidos técnicos. “A Judith fabricou durante muito tempo toda a produção de fio dental da Johnson’s, tecido para paraquedas, asa-delta, entre outros”, lista. ” Hoje, continuamos com o voil e temos outros tecidos de decoração, técnicos e a torção de fios que terceirizamos”.

Atual produção da fábrica que marcou época e gerou empregos a várias gerações
Atual produção da fábrica que marcou época e gerou empregos a várias gerações (Crédito: Werner Munchow)
Início da produção da Judith, quando ficava na Rua 24 de Maio, ao lado da Rodoviária
Início da produção da Judith, quando ficava na Rua 24 de Maio, ao lado da Rodoviária (Crédito: Arquivo família Mendes)

Robiel: ato de coragem de Indaiatuba para o mundo

Werner Münchow

Donos da Robiel, Antônio Cavalli e Álvaro Bonachella, na empresa com uma das máquinas modernas da empresa
Atualmente, uma das empresas que gera 175 empregos e que faz parte da história mais recente da cidade é a indústria automotiva Robiel, que está há 30 anos no mercado, produzindo e comercializando componentes para sistema de injeção diesel.
O empresário e diretor da empresa, Antônio Ronaldo Cavalli, conta que tudo começou com a falência da fábrica onde trabalhava, por volta do anos 80. “Teve uma crise no país e muitas empresas faliram nesta época, inclusive onde eu trabalhava aqui na cidade. O dono sumiu e deixou 70 funcionários sem receber. Fabricávamos uma peça que eu sabia que tinha mercado porque alguém me falou, mas eu não conhecia. Coloquei algumas peças dentro de um fusca vermelho e fui para Sorocaba. Lá, vendi quase todas as peças. Vendi o restante na cidade de Ourinhos e vim embora com um pacote de dinheiro”, lembra. “Reparti este dinheiro com os demais funcionários e continuamos fabricando a peça. Nisso, o dono da empresa voltou, mas não tinha mais como recuperar a fábrica e tiveram que fechar as portas. Como ele não podia nos pagar, peguei os dispositivos e fui trabalhar em outro local. Arrumei um primeiro sócio, mas não deu certo. Tinha o Álvaro, que estava no Rio de Janeiro e queria voltar, e outro sócio que tínhamos, ele trabalhava no Bradesco, então juntamos tudo e começamos a trabalhar – progredindo, subimos, descemos e, hoje, continuamos”, resume, listando as seis filiais mais a matriz em Indaiatuba; além disso, tem distribuidores em sete países.
O segundo sócio e diretor da empresa, Álvaro Luiz Bonachella, conta que os sócios enxergaram no ramo de injeção a diesel a oportunidade de evoluir no país. “Depois que chegou à era eletrônica mudou o conceito de fabricação, nós fomos os pioneiros no Brasil a fazer peça de reposição para linha de injeção eletrônica, começamos a desenvolver e vimos que o mercado tinha uma dificuldade de utilizar esses produtos, daí começamos a buscar tecnologia, conhecimento e capacitação para podermos oferecer essas condições aos nossos clientes. Fazendo isso evoluímos tanto no mercado nacional e expedimos para a América Latina, e no próximo ano vamos trabalhar toda a América, que são mercados diferentes”, revela.
Capacitação
Além da produção, a Robiel trabalha com a capacitação de seus clientes. A capacitação ocorre todos os anos em Indaiatuba e já foram capacitadas mais de 2 mil pessoas. “Nós trazemos os nossos clientes, que são especialistas em injeção a diesel. Eles vêm aqui na Robiel e ensinamos como fazer a regulagem para que o veículo a diesel funcione bem”, explica Bonachella. “Na capacitação, passamos a parte teórica e também a prática; geralmente, o pessoal traz as peças e nós deixamos o produto funcionando melhor do que o novo, porque temos condições de fazer isso, pois este acaba sendo um trabalho artesanal”, prossegue o diretor. “Em uma linha de produção, temos uma tolerância, e quando fazemos o serviço artesanal, ela diminui, assim melhora o resultado do produto e do rendimento”.
A Robiel se tornou referência no setor que atua e faz parte da Associação Diesel Especialista (ADS). “Tudo o que vai ser comentado, ou a perspectiva de como vai proceder os motores a diesel é sempre discutindo nesta associação”, conta o diretor.
Truck
A Robiel também está na Fórmula Truck. “Temos uma parceria com a Fórmula Truck, que é um local onde vamos buscar o limite do produto. Nós vamos trabalhando e quando ‘explode tudo’ sabemos até onde podemos chegar. Lá é um desenvolvimento para limites, um laboratório de teste”, comenta. “Esta é uma fonte de desenvolvimento nosso, a outra fonte são nossos clientes que analisam uma necessidade, discute no grupo, desenvolvemos protótipo, vem para nosso laboratório, fazemos os testes, em cima dessas análises fazemos o estudo para entrar em produção”, conclui.

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