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10337 Uma Volta Pela Vida Cultural Do Municipio

Leitura obrigatória

Publicado em: 01/12/2016 10h49 – Atualizado em 08/12/2016 10h22

Uma volta pela vida cultural do município

Nos tempos em que a pequena Indaiatuba tinha dois cinemas e se deliciava com circos

Fábio Alexandre



Acervo Penna
Cine Rex ficava onde hoje é o estacionamento do Bradesco, na Praça Prudente de Moraes
Atualmente, Indaiatuba possui uma extensa programação cultural, com projetos mantidos pela Secretaria local, nove salas de cinemas, teatro, entre outros. Mas nem sempre foi assim. Na década de 1920, a cidade ainda carecia de opções e buscava oferecer novidades, sendo os cinemas e os bailes os principais pontos de encontro da época.
Em entrevista concedida ao presidente da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba, Antônio Reginaldo Geiss, em 27 de agosto de 1997, um ilustre morador de Indaiatuba relata os costumes da época. Filho de Scyllas Leite de Sampaio e Alice Walsh da Costa, ambos indaiatubanos, Antônio Charybdis Costa Sampaio nasceu em 14 de dezembro de 1913, em uma conhecida rua da cidade: a Rua XV de Novembro. De seus tempos de escola, uma recordação bem peculiar. “Lá por 1920, se não me engano, voava sobre Indaiatuba um avião. Coisa notável, né? Um avião simples, biplano, com cauda de bambu e só tinha cabine para o piloto e motor”, prossegue. “Ele passou por Indaiatuba falhando: uma pane qualquer. Confundiu o pasto dos pinheiros, onde hoje se localiza o hospital e confundiu o vale com uma estrada, descendo no pasto, no campo e embicou pra dentro do vale”.
A presença mobilizou a cidade. “E aquilo foi um rebuliço em Indaiatuba inteiro. Não houve mais aula e o pessoal foram todos para o campo. E era o capitão Bush, de Campinas pra cá”. Geiss então questiona: “o que você lembra da escola desse tempo? Indaiatuba tinha cinema?”.
E as recordações são tantas. “Eu só lembro da época de 1920 pra cá. Nessa época, tinha dois cinemas. Recreio, na Praça Prudente de Moraes… e Internacional, na Rua Cerqueira César, ao lado do terreno de um comerciante também célebre em Indaiatuba, o Lisoni”, aponta. “O Lisoni limitava-se aí, era um barracão, era o Cine Internacional. Sustentava dois cinemas em Indaiatuba naquela época, não é admirável isso?”.
No texto Os Circos de Cavalinho (e os primeiros cinemas de Indaiatuba), de autoria de Ejotaele, publicado no blog História de Indaiatuba, da historiadora Eliana Belo, constam mais alguns detalhes. “Alguns anos mais tarde, Indaiatuba teve oficialmente os seus primeiros cinemas: o Recreio, de propriedade de Nicolau Carderelli, sucedendo-o, após, Miguel João; o Progredior, de propriedade de Domingos Gazignato, ambos localizados na Praça Prudente de Moraes”, afirma. “Algum tempo depois, tendo o Progredior encerrado suas atividades, surgia o Cine Internacional, de propriedade da Corporação Musical Internacional, figurando, como diretor, Ernesto Laurenciano e que teve um período de fastígio”.
“O Laurenciano tinha um filho: Antoninho. Ele era o ajudante que molhava a tela com uma bomba: esguichava a água atrás da tela, molhava e a tela depois que estava ensopada, era que começavam a sessão… era recebido com palmas e gritarias pela molecada”.

Célebre Nabor cantava nos cinemas

As recordações são também musicais e afloram quando Geiss pergunta se o cinema tinha um “conjunto”. “Ah! O conjunto era feito pela família Pires, que forneceu os músicos aqui (risos). Era o Aristides, o Otávio, o Miloca e também um que se tornou célebre: Nabor [Pires de Camargo]”.
O autor do hino de Indaiatuba era figura rara nas sessões. “O Nabor poucas vezes aparecia aqui no cinema, porque ele estava, parece que em São Paulo, estudando no conservatório. Mas no cinema, que era um barraco, telha vã, não era só aos domingos que tinha sessão, não, havia nas quartas-feiras também. E como é que Indaiatuba sustentava tudo isso, hein?”.
Até os circos tinham espaço. Questionado sobre o que faziam na infância, lembrou de uma brincadeira. “Fazíamos circo no quintal, era grande. As crianças iam lá brincar, também fazíamos parte, imitava os artistas que passavam por aqui (risos)”, continua. “Por Indaiatuba, que a Praça Rui Barbosa era um ermo, era um campo e ali estabeleciam-se os circos”.
Antônio – que faleceu em 2001 – relembra uma passagem dos circos pela cidade. Eu me lembro de um cirquinho… Circo Rosa; ficou na memória. Ficou sem dinheiro para partir de Indaiatuba e um outro circo melhor que apareceu armou-se ali ao lado e fez em benefício dele… aí eles puderam sair”. Reflexos de outro tempo, onde não se havia muito a fazer, mas o que se fazia era muito.

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