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10339 Sempre Avante Savoia A Legenda De Um Ativista

Leitura obrigatória

Publicado em: 01/12/2016 11h48 – Atualizado em 02/12/2016 11h15

Sempre Avante Savóia, a legenda de um ativista

 



Ainda na primeira metade do século 20, tudo estava em efervescência em Indaiatuba. Os estabelecimentos comerciais também aumentavam, atendendo à uma nova modalidade de compras dos consumidores.
Então, o estabelecimento de José Tancler, na esquina da Rua Sete de Setembro com a XV de Novembro, operou até 1940. Com a legenda Sempre Avante Savóia, Tancler era um “comerciante e cidadão atuante”, tendo participado de todos os movimentos da cidade.
Martha Marinho atesta que, nos anos 1950, o município já contava com 67 estabelecimentos comerciais que envolviam 176 pessoas. “Em 1960 já passaram a existir 340 estabelecimentos comerciais com 255 envolvidos. Em 1970, eram 340 comércios e 600 pessoas trabalhando.”
Em entrevista concedida a Antônio Reginaldo Geiss, Dolácio Pimentel, contou que a família tinha um açougue em Monte Mor. Ele era filho de Porfírio Pimentel, que decidiu se estabelecer com o comércio de carnes em Indaiatuba, que funcionou por 37 anos. “O dono da farmácia, Antônio Cordeiro, era meu tio e padrinho (…)”, relatou Dolácio.
Ele lembrou ainda: “Trabalhei com meu pai no açougue. Meu pai, quando eu era garoto, ia picar carne, levantava duas ‘hora’, três ‘hora’, uma hora da madrugada, conforme o tamanho do boi. Eu era garotinho, então ele levava o ponche e estendia embaixo de uma mesinha que ele colocava os pesos de carne. Eu deitava e dormia um pouquinho ali, e depois ia entregar carne. De manhã ia entregar carne no hospital. (…) tinha sete ‘ano’, oito ‘ano’. Eu tinha um medo de descer aquela rua do hospital ali rapaz! Descia… pai nosso e ave maria até lá rezando, a pé, cesta na costa (…) Então eu dava a volta lá por detrás do hospital… não passava em frente o necrotério de jeito nenhum!”
O Redondo
Geiss também entrevistou Lauro Magnusson, indaiatubano filho de Frederico e Ema Gazzi Magnusson. Uma de suas lembranças se referiu ao Bar do Redondo, que ficava na Rua Cerqueira César (onde também foi sede da Prefeitura de Indaiatuba). “Ah, o Redondo era o ponto da turma dos que gostavam de tomar cerveja, tinha um barzinho dentro do Pínfari… Então, o Redondo era bonito e ficava iluminado à noite, tudo fechado aquilo era bem arrumadinho mesmo. Só tinha uma entrada, e a turma sentava, tomava uma cerveja (…)”, detalhou.
Sylvia Teixeira de Camargo Sannazzaro, também entrevistada por Geiss, se lembra com detalhes do espaço: “(…) havia ali meia quadra de jardim (…) então o prefeito Alfredo Fonseca fez um jardim bonito, muito bonito, com roseiras, era uma beleza (…) e na ponta de cá, dando para a Rua XV de Novembro, fizeram um redondo bem grande, e puseram bancos e mesinhas, né”. “Do bar, era o Hildebrando que cuidava”, continuou Sylvia. “(…) nesse jardim a mocidade passeava, dava volta, e quem gostava de tomar uma bebida entrava no Redondo, no jardim (…) era um bar familiar e bem rústico também, porque era chão de terra e tinha as mesinhas (…) não tinha cobertura, era ao relento”.
Mais lembranças
Na entrevista a Geiss, Lauro Magnusson acrescentou outras lembranças do comércio de décadas passadas: “(…) tinha o armazém do Lisoni, onde hoje é o Banco do Brasil; depois passou para o Jacob Lyra, com armazém também. (…) A loja do Nicolau ficava em frente ao Artur Tomazzi. Depois vinha o Feres, e em frente ao Feres tinha a padaria do Gentil Lopes. Era um ponto de concentração da turma que vinha do sítio, principalmente da Cruz Alta (…). Tinha outra padaria, a Universal, do Donalísio (…)”. Lauro também mencionou a farmácia Candelária: “(…) do Odilon Cordeiro e do Zephiro”.

Nos anos 1930, o Redondo era o ponto de encontro da cidade nas tardes de domingo (Crédito: Fundação Pró-Memória)
Ângelo Bruni e Ítalo Pínfari (chapéu), no Redondo, em 1926
Ângelo Bruni e Ítalo Pínfari (chapéu), no Redondo, em 1926 (Crédito: Fundação Pró-Memória)

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