Publicado em: 29/05/2018 10h52 – Atualizado em 01/06/2018 16h33
Marc Ferro e o avanço
dos usos do cinema pela história no século 20
Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus é superintendente da Fundação Pró-Memória e doutor em História Cultural e Pesquisador da Unicamp/IFCH
No artigo passado, mostrei como o historiador Marc Ferro revelou que uma análise historiográfica de um filme não poderia ficar restrita ao seu conteúdo narrativo, mas sim deveria espraiar-se para toda produção cinematográfica e o contexto em que foi idealizada. Mas aqui pretendo ir além, mostrando que para Ferro o cinema possibilita a entender o imaginário de uma época, nesse sentido entende o imaginário como objeto da História ou a própria História.
Dentre suas propostas, uma das mais instigantes é de que o cinema pode ser visto não só como produto da História, mas também agente, ou seja, os filmes, através de uma representação, podem servir à doutrinação e ou à glorificação, agindo de forma decisiva num momento histórico, como por exemplo, os filmes de propaganda política. Além disso, podem ser agentes de conscientização social, como foi o caso do Cinema Novo no Brasil.
Por isso, nesse sentido, para Ferro, a contribuição maior da análise do filme na investigação histórica é a possibilidade de o historiador buscar o que existe do que chamou de não-visível, uma vez que, para ele o filme excede seu próprio conteúdo. Para Ferro, o filme mostra uma outra história: é o que ele chama de contra-história, que torna possível uma contra-análise da sociedade.
Nesse caso, o filme revelaria aspectos da realidade que ultrapassam o objetivo do realizador, além de, por trás das imagens, estar expressa a ideologia de uma sociedade. Ferro defende assim que, “através do filme, chega-se ao caráter desmascarador de uma realidade político e social”. (Kornis, 1992, p.244). Pierre Sorlin é outro nome que contribuiu para pensar o cinema como fonte histórica, mas isso é um tema para o próximo artigo.
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