Publicado em: 07/12/2017 11h04 – Atualizado em 08/12/2017 14h29
Tecnologia revolucionou o mercado exibidor
Paulo Celso Lui, do Topázio Cinemas, revela quais foram as principais mudanças no setor
As mudanças de comportamento e o advento de novas tecnologias causam revoluções constantes no modo em que nos relacionamos com produtos e serviços. No ramo do entretenimento não é diferente e o cinema é um dos setores que mais apresentou novidades nas últimas décadas. Com quase 40 anos dedicados à sétima arte, Paulo Antônio Lui, da Lui Cinematográfica, administradora do Topázio Cinemas, conta à Tribuna quais foram as principais mudanças das últimas décadas.
“O Topázio Cinemas abriu suas portas com uma sala no Shopping Jaraguá em setembro de 1993 e os tempos eram realmente diferentes. Até 1995, mais ou menos, as salas de cinema de municípios médios e pequenos do interior enfrentavam dificuldade para receber uma cópia 35 milímetros de qualquer filme principalmente lançamentos”, conta Paulo. “Os distribuidores não montavam estratégias para atingir todo o Brasil, como vemos hoje”.
Lui lembra que os filmes possuíam lançamentos concentrados na capital paulista, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba ou cidades como Santos, Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba, entre outras. “Tínhamos uma praça reduzida de exibidores e muitos ainda demoravam uma ou duas semanas para receber as cópias”, lembra. “No interior, os filmes demoravam de cinco a seis meses para chegar, pois tínhamos, no máximo, 60 cópias de 35 milímetros para cada produção”. Em 1988, o Brasil contava com uma média de 1.200 salas de exibição.
Estratégias
“Com a chegada dos multiplex ao Brasil em 1997 – o primeiro foi inaugurado em São José dos Campos – as distribuidoras começaram a rever suas estratégias de lançamento. Além disso, o advento do videocassete obrigou que os filmes chegassem mais rapidamente às telonas”, recorda Paulo. “Com os multiplex, as salas de exibição também passaram a se estruturar melhor, com poltronas mais confortáveis e sistemas de som”.
Quatro anos depois, Indaiatuba ganhava seu primeiro multiplex, com quatro salas no Shopping Jaraguá. “Entre 2003 e 2004, as empresas de exibição começaram a migrar para os shoppings e a inaugurarem seus multiplex. Foi então que as distribuidoras passaram a lançar películas em grande escala, algo entre 120 a 130 cópias”, lembra Paulo, que caminha para o quarto mandato como presidente da Feneec (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas). “Contudo, as salas de cinema ‘de rua’ ainda somam cerca de 10% do parque de exibição no Brasil”.
Entre os anos de 2010 e 2011, o país começou a se preparar para receber a tecnologia digital. “Na verdade, as conversas tiveram início em 2009, mas a tecnologia era incipiente e caríssima”, comenta Lui. Foi então que surgiu a Digital Cinema Initiatives (DCI), entidade internacional responsável pela gestão do padrão tecnológico de cinema digital. “Os exibidores tiveram que correr atrás e o Brasil foi o último país a aderir ao cinema digital. Aliás, acabamos recentemente de digitalizar toda a praça”, revela.

Bombonieres se diferenciam pelo atendimento e procuram oferecer combos temáticos (Crédito: Fábio Alexandre)
Em 2011, Indaiatuba se preparava para ganhar um novo multiplex, com cinco salas de exibição no Polo Shopping (Crédito: Fábio Alexandre)
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